quinta-feira, 29 de março de 2012

Capítulo 7 Os Druidas e o seu renascimento

Conteúdos
Preâmbulo
1- Druidismo na Antiguidade
1.1- Origem do termo “Druida”
1.2- Habitat e Vida Social dos Druidas
1.3- A Realeza
1.4- Conquistas de Cláudio
1.5- Vestes brancas dos Druidas
1.6- Simbolismo das cores
1.7- Festas principais
1.8- O Rei Artur e Merlin
1.9- Canibalismo e Sacrifícios humanos entre os Druidas
1.10- Ideia druida sobre a morte
2- Druidismo moderno
2.1- Alvores do druidismo moderno
2.2- Verdadeiro ressurgimento do Druidismo moderno
2.3- Base do Druidismo moderno
2.4- Druidismo actual na Inglaterra
2.5- Druidismo nos Estados Unidos da América
2.6- Druidismo em Portugal
Bibliografia


Preâmbulo
Através da história, sobretudo, Romanos, Celta e Bretã, tínhamos algumas noções sobre a existência dos Druidas.
As fontes principais pertenciam aos escritores romanos, Júlio César com a sua De Bello Gallico onde descreve a sua vitória sobre os Bretões no ano 52 a.C.) e a Plínio, o Velho com a sua obra Naturalis Historia[1] composta por 37 livros escritos cerca do ano 77 d.C. onde se podem ler estas palavras acerca dos Druidas: “(…) terminados os preparativos necessários para o sacrifício e o banquete sob a árvore (carvalho), levam ali dois touros brancos” Esse conhecimento, porém, não era muito profundo e valeram algumas descobertas arqueológicas nos últimos tempos para melhor se poder ajuizar da sua existência, doutrina e influências nas sociedades da sua época.
Dessas descobertas ressalta, por exemplo, o Homem de Lindow (Lindow Man), descoberto em Lindow Moss, perto de Wilmslow (Sul de Machester), em Cheshire, no Norte da Inglaterra, a 1 de Agosto de 1986.
Em 1971 encontrou-se numa fonte de Chamalières, perto de Clermont-Ferrand (França) uma placa com uma oração a uma divindade desconhecida mas suposta pertencer aos druidas. Depois, em 1983, encontrou-se na aldeia de Veyssière (Aveyron, França) uma outra placa de 57 linhas, conhecida por Chumbo do Larzayk, onde se inscrevia uma mensagem para o outro mundo que devia levar até ali uma mulher druida defunta.
1- Druidismo na Antiguidade
1.1- Origem do termo “Druida”
Tem sido seguida a opinião de que o termo teria vindo da palavra grega “drus” que significa carvalho, deduzindo-se daí de que esse grupo humano adoraria essa árvore e, por meio dela, simbolicamente a floresta, que se supunha possuir uma alma ou espírito. Daí dizer-se serem animistas.
Chris Travers
[2], porém considera que a sua origem deverá procurar-se, preferencialmente, em raízes Indo-Europeias, por exemplo, em “dru” cujo significado é “forte”, “firme” ou “estável”, sendo seguida do sufixo “Wid” que se relaciona com o conhecimento e a sabedoria. Desta mesma opinião são Edred Thorsson (1987, 1992) e Ph. D. Hence que são, por sua vez seguidos pelo linguista Kenneth H. Jackson[3]. Para confirmar esta derivação Travers propõe a tradução da palavra “Druida”, em três línguas, muito relacionadas entre si e com esse grupo humano:
Em Old Irish: druÌ;
Em Middle Wlsh: Derwydd;
Em Gaulish Druvis (de druvids’)
Verifica-se, com facilidade, que os diferentes sons mudaram ou caíram em cada uma das línguas apresentadas, sugerindo tal facto que a forma antiga treria sido com muita probabilidade, “deruwid”, proveniente de “deru+wid”.
Para melhor podermos perceber esta derivação poderemos aproveitar outra sugestão que nos é fornecida pelo mesmo autor a propósito da mesma raiz (deru+wid) que se encontra também noutras línguas, como por exemplo nas seguintes línguas:
Indo-Europeu: deru;
Grego: Drus;
Latim: Dryad (árvore-ninfa);
Irlandês antigo: Druìm(druid) ou duir (carvalho);
Antigo Norse: Trú (fiel);
Inglês m oderno: door; tree; truth; true;
Médio Galês: Derwydd ….
1.2- Habitat e Vida Social dos Druidas
O local próprio dos Druidas tem sido proposto como sendo as Ilhas Britânicas. No entanto este local não foi o único. Podemos encontrar elementos do druidismo também na Gália, sobretudo nas regiões onde hoje se situam a França, Bélgica e o Luxemburgo e ainda no Norte da Península Ibérica. Por outro lado, a ideia que se tem destes indivíduos é a de que eram considerados como magos, feiticeiros e que possuíam grandes conhecimentos praticamente a todos os níveis. Por exemplo Pomponius Mela num artigo intitulado Druidismo:Alma Celta em Acção escrevia o seguinte:
(…) dominavam toda a área do conhecimento humano, cultivavam a música, a poesia e tinham controle do clima, do conhecimento sobre as ervas, podiam fazer ou parar de chover, controlavam as funções, marés, tremores de terra, etc. Tudo isto era procedido com o uso de cristais e em parte pela acção da mente, graças aos rituais realizados em lugares de força. Preferiam cultuar a divindade em lugares como o campo e florestas, usando vestes brancas em algumas cerimónias ligadas à fecundidade da natureza, os participantes não usavam vestes”.
Sob o ponto de vista político, os Druidas formavam dois grandes grupos ou Instituições bem distintas, sobretudo na Irlanda, senbdo elas a Tribo (Tuathas) e a Aes Dana (ou homens da arte). Se a primeira se dedicava à guerra, a segunda laborava no campo da arte e da magia.
Por sua vez a Aes Dana (artistas e Magos) subdividia-se em os BARDOS (poetas e Músicos viajantes), os FILI (poetas domésticos e historiadores orais) e os METALÚRGICOS e ARTESÃOS (artesãos e poetas estacionários ou das casas senhoriais e palacianas).
Há quem os subdivida em BARDOS (responsáveis pela preservação e transmissão das identidade cultural), os VATES ou OVATES (adivinhos, curandeiros, conhecedores das propriedades das plantas e, por isso, os aplicadores da magia e da cura) e, finalmente, os DRUIDAS (conselheiros dos reis, sacerdotes, Juristas e Legisladores).
Sob o ponto de vista militar, consta, segundo testemunho de Júlio César, que o exército dos celtas tinham um treino muito aperfeiçoado e que seria adestrado pelos Druidas que utilizavam métodos físicos, psicológicos e mágicos, como também a profecia e a adivinhação. Relativamente aos guerreiros druidas (masculinos e femininos), é de notar que não temiam a morte e enfrentavam-na, expondo aguerridamente as próprias vidas. Achavam ignominioso e cobarde cobrirem o corpo com armaduras ou outros trajes, lutando, por isso de tronco nu.
Sob o ponto de vista religioso, os Druidas apesar de cultuarem, como os Celtas, a Deusa-Mãe, admitiam que todas as prerrogativas atribuídas à divindade eram apenas percepções imperfeitas da sua própria constituição. Admitiam, efectivamente, que todos os aspectos da divindade e todas as divindades adoradas não passavam de aspectos de uma única Divindade suprema.
1.3- A Realeza
Entre os guerreiros e os artistas situava-se a Realeza que era considerada agrada. Ao Rei cabia a função e obrigação de se sacrificar pelo bem e salvação do seu povo, visto ele ser considerado casado com a Terra ou Reino. Se não cumprisse com estes seus deveres, seria punido pelos deuses. Conta-se que, devido ao aparecimento de uma peste que dizimou grande número de cidadãos, o Rei foi sacrificado em expiação.
1.4- Conquistas de Cláudio
Sob o império do imperador romano Cláudio, os Romanos conquistaram e anexaram a Grã-Bretanha, no ano 41 d. C., coroando com esta vitória as vitórias alcançadas contra a Trácia, Norico (Noricus Ager) um país ao sul do Rio Danúbio (correspondente à alta e baixa Áustria de hoje, entre Inn e o Danúbio e ainda grande parte da Stíria, Carinthia e partes de Carniola, Bavária, Tirol e Salzburgo), Panfília, Lícia e Judeia.
Dois foram os factos dignos de memória atribuídos a Cláudio. Em primeiro lugar, após a conquista da Bretanha indultou Caractaco, general e líder da resistência bretã, pela sua nobre atitude quando foi capturado no ano 50 d.C. Em vez de o mandar executar como era costume, deixou-o ir viver para uma das províncias romanas. O segundo facto (nada digno) foi o de ordenar a destruição de todos os símbolos relativos à religião celta, isto é, druida. Mesmo assim, após a sua morte, Cláudio seria divinizado pelo Senado Romano.
1.5- Vestes brancas dos Druidas
Quando se fala da indumentária dos Druidas ressalta a cor branca da sua longa túnica, munida de capuz, à semelhança, diz-se, dos monges beneditinos. Foi assim que se apresentaram, em Stonehange, e noutros locais de assembleia dos Druidas modernos.
Haverá alguma verdade histórica que sustente esta apresentação hodierna? De facto tudo leva a crer que o uso das vestes brancas tenha um fundamento histórico. Segundo Plínio, o Velho, os Druidas deslocavam-se à florestas para nela apanharem o visco que se encontrava nos carvalhos para confeccionarem com ele as suas mezinhas (o termo "mezinha" tem a sua origem na palavra latina "medicina" que significa remédio). Segundo a versão inglesa lê-se: “(…) a Gaulish mistletoe-cutting ritual where a druid, in a what is generally translated as 'White robe' climbs an oak tree and cuts the mistletoe (which has white berries) with a golden sickle”. Temos aqui, portanto, a alusão à veste branca e, ao mesmo tempo, ao Visco ou visco (mistletoe) que na Inglaterra é conhecido mais pelo nome de “White Berries) e entre os Romanos era conhecido por “Galho de ouro”, passando a nós sob o nome de “Erva do Passarinho”. Como se sabe, o carvalho é a árvore que mais se adapta ao desenvolvimento desta erva parasita (o visco) que dá umas bagas brancas ou mesmo acastanhadas ou de tom dourado, quando bem maduras), delas se servindo algumas aves.
Os Druidas aproveitavam-nas para confeccionarem as suas mezinhas curativas. Enquanto uns trepavam pela árvore acima para cortar o visgo, outros permaneciam por baio para o recolherem antes de atingirem o solo, para não perderem as propriedades sagras e curativas. Após a colheita procedia-se a uma cerimónia, constituída por orações, fórmulas mágicas e pelo sacrifício de dois touros brancos. Os ramos eram cozidos numa “poção misteriosa com propriedades salutares especiais” vindo a servir como remédio contra os males e feitiços. Assim se justifica o uso das vestes brancas com capuz, usado pelos grupos druidas de hoje.
1.6- Simbolismo das cores
O simbolismo das cores no tempo de Merlin era o mesmo que aquela que encontramos hoje entre nós.
Assim a:



Cor branca significava a pureza, a inocência e a alegria;
Ccor vermelha significava a coragem, o poder, o fervor e o zelo;
Cor azul significava o Céu, a divindade, a piedade, a amizade, a lealdade e a justiça;
Cor verde significava a esperança, a vida, a plenitude.
1.7- Festas principais
Para eles o ano era dividido em quatro períodos de três meses em cujo início havia um grande festival.
Imbolc – celebrada a 1 de Fevereiro (no Hemisfério Norte) e a 2 de Agosto (no Hemisfério Sul).e era associada à deusa Brigit, a Deusa-Mãe, protectora da mulher e do nascimento das crianças;
Beltane – (também chamado de Beltine, Beltain, Beal-tine, Beltan, Bel-tien e Beltein). É celebrada a 1 de Maio (no Hemisfério Norte) e a 1 de Novembro (no Hemisfério Sul) e significa "brilho do fogo". Esta festa, muito bonita, era marcada por milhares de fogueiras;
Lughnasadh – (também conhecida como Festa das Lammas) era dedicada ao Deus Lugh, ou Deus Sol e celebrava-se no Outono, a 1 de Agosto (no Hemisfério Norte) e a 21 de Março (no Hemisfério Sul). Tinha como simbolismo a fartura das colheitas;
Samhain – a mais importante das quatro festas, celebrada a 1 de Novembro no hemisfério Norte e a 1 de Maio no Hemisfério Sul. Hoje associada com o Hallows Day, celebrado na noite anterior ao Hallowen.
1.8- O Rei Artur e Merlin
O pouco que popularmente é dito a respeito dos druidas tem por base diversas lendas, como a do Rei Artur, onde Merlin era um druida.
O que melhor se pode dizer é que os druidas foram membros de uma elevada estirpe de Celtas que ocupavam o lugar de juízes, doutores, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos, astrónomos, etc., mas que evidentemente não constituíam um grupo étnico dentro do mundo Celta. Eram grandes conhecedores da ciência dos cristais, radiestesia
(sensibilidade para as radiação e tem como função a activação do subconsciente humano), plantas, etc[4].
Na cultura druida, portanto, a mulher tinha um papel preponderante, pois ela era vista como a imagem da Deusa.
No contexto religioso os druidas eram sacerdotes e sacerdotisas dedicados ao aspecto feminino da divindade, a Deusa Mãe. Embora cultuassem a Deusa Mãe mesmo assim admitiam que todos os aspectos expressos a respeito da Divindade eram ainda percepções imperfeitas do Divino.
No continente europeu, as construções megalíticas mais divulgadas são as de Stonehenge (Inglaterra), local em que por volta do ano 3000 a.C., terá sido criado o primeiro local de culto, o qual foi desenvolvido nos cerca de 1500 anos posteriores.
Em torno disto existem muitos relatos, contos, lendas e mitos, especialmente ligados à Corte do Rei Artur e a Tabula Redonda. São inúmeros os contos, entre eles, aqueles relativos à Corte do Rei Artur, onde vivera Merlin, o mago, e a meio-irmã de Artur, Morgana, e Guinervere que eram Druidas.
1.9- Canibalismo e Sacrifícios humanos entre os Druidas
Os trabalhos de arqueologia da professora Miranda Aldhouse-Green[1] da Universidade de Cardiff confirmam os ditos dos autores clássicos e demonstram a participação crucial dos druidas na realização de sacrifícios humanos e na prática do canibalismo.
Os romanos trouxeram notícias com histórias horríveis sobre os sacerdotes celtas, que se espalhou por toda a Europa durante um período de 2000 anos.
Júlio César afirmava que os druidas sacrificavam presos e prisioneiros aos deuses.
Dando assim, continuidade ao mito de sacrifícios cometido pelos Druidas, cujo verdadeiro erro foi estimular o povo a não aceitar as leis e a suposta 'paz' romanas.
Também Plínio, o velho, sugeriu que os celtas praticavam o canibalismo como ritual, comiam carne de seus inimigos como uma fonte de força espiritual e física
[5].
1.10- Ideia druida sobre a morte
Acreditando na imortalidade da alma, os druidas ensinavam que a alma humana deveria ultrapassar uma dura prova, constituída por três ciclos de reencarnações. Essa prova deveria ser superada com a ajuda dos espíritos protectores. A sequência desses três ciclos era a seguinte:
O ciclo da Imersão na matéria, o seja, o da vivência na terra, sendo este o ciclo mais primitivo e conhecido por “ciclo da animalidade”;
O ciclo das Migrações, sendo constituído pelo período em que a alma circula pelos mundos das experiências e do sofrimento humanos, reencarnando noutros seres;
O ciclo da Chegada ao mundo venturoso: Após a dura luta e o grande sofrimento durante o ciclo das migrações a alma chega, finalmente, ao mundo venturoso e alcança a Essência Divina.
2- Druidismo moderno
2.1- Alvores do druidismo moderno
O Druidismo permaneceu praticamente desconhecido até aos finais do século XVIIII e, se alguma coisa se disse até esta data, foi baseado em alguns antigos documentos referentes às guerras entre Romanos e Celtas e Bretões, como já foi dito anteriormente.
Num belo dia do ano 1717, Henry Hurle
[6], durante uma reunião realizada num bosque de Inglaterra, sentiu a necessidade da irmandade entre os homens e fez esta declaração, em alta voz:
“Ir appears to be that society lacks good fellowship, hilarity and brotherly love” e, ao falar sobre os Druidas, acrescentou:
“(…) they were of old men who undertook to enlighten the people of their day who introduced among de ancient Britons the useful and polite arts, and these were the Druids. My proposition is that we form a society for social feeling and we assume the title of those learned men (the druids), and that we will adopt the endearing name of brothers, universally amongst us”.
A partir de então várias foram as entidades filantrópicas, sociedades secretas e clubes de cavalheiros que foram surgindo na Inglaterra entre os séculos XVIII e XIX, sob a muita influência de ordens semi-macónicas, chegando o número de ordens druidas a cerca de uma centena nos finais do século XIX, no intuito de revitalizarem o fenómeno druida original que se supunha ter existido pelo menos 6.000 anos antes de Cristo. As principais e mais conhecidas dão pelos nomes de: Druid Order (Ordem Druida) e mais tarde as seguintes: Confraternidade Filosófica dos Druidas; Ordem Druida; Fraternidade dos Druidas; Bardos e Poetas ou Igreja Celta Renovada. Todas estas se matem em pleno desenvolvimento, nos nossos dias
[7]. 2.2- Verdadeiro ressurgimento do Druidismo moderno
Foi, porém, na década de 1960, mais precisamente em 1964 que Ross Nichols tratou de pôr em ordem a grande variedade de ordens druídicas que foram surgindo nos séculos XVIII-XIX. Abandonando a A.O.D. (Ancient Order of Druids) passou a criar a Ordem dos Bardos Ovates e Druidas (O.B.O.D) (ou simplesmente OBOD), atribuindo a esta nova Ordem uma grande ênfase aos aspectos mágicos e celtas.
Ajudado pelas recentes descobertas
[8] arqueológicas, filosóficas e religiosas, pôde imaginar quais teriam sido as máximas morais do antigo druidismo, propondo as seguintes:
Crença no Supremo Poder do Universo,
Imortalidade da Alma,
Dignidade de cada homem e mulher,
Respeito pelos direitos humanos de todos os humanos,
Desenvolvimento das faculdades mentais,
Protecção mútua,
Desenvolvimento das virtudes sociais,
Nacionalismo,
Irmandade e fraternidade.
Estes princípios assentam nos preceitos atribuídos a Merlin (considerado o maior de todos os druidas da antiguidade e que se tornou proverbial na história da magia), sendo identificados os seguintes:
1º Labora diligentemente para adquirir o conhecimento, pois este é poder e força;
2º Se estiveres constituído em autoridade, decide racionalmente, pois ela pode cessar;
3º Suporta com fortaleza os altos da vida, e recorda que nenhum infortúnio é perpétuo;
4º Ama a virtude, pois esta traz s paz;
5º Aborrece o vício, pois este traz o mal;
6º Obedece aos que estão constituídos em autoridade para que a virtude seja exaltada;
7º Cultiva as virtudes sociais para que possas ser amado por todos os homens.
2.3- Base do Druidismo moderno
Segundo alguns autores o Druidismo moderno é uma religião heteróclita, porquanto ele é constituído por uma mistura de elementos de diversas proveniências, tais como:
- Crenças originais celtas (6.000-500 anos a.C.) que foram recolhidas por estudos alcançados nos séculos XIX e XX;
- Influências do cristianismo celta que se desenvolveu na Grã- Britânicas e na Irlanda antes da imposição do Cristianismo romano no anos 500-a 1000 d.C.;
- Crenças pagãs dos Normandos após a invasão das Ilhas pelos Wikings (800-1000 d.C.);
- Cristianismo místico ea da Maçonaria que moldaram o Renascimento druídico do século XVIII;
- ocultismo dos finais do século XIX;
- Reconstrucionismo Celta dos finais do século XX.
2.4- Druidismo actual na Inglaterra
Em 2003 Emma Restall Orr criou, na Inglaterra, a Druid Network que é uma Organização neo-pagã druida e que se tornou uma fonte de informação e inspiração das Tradições do druidismo moderno. Esta Organização tomou a seu cargo, em colaboração com British Museum, o tratamento e a dignificação dos objectos e dos restos encontrados nas escavações arqueológicas do Reino Unido, tendo publicado alguns os resultados no “British Archeology” (Issue 77, July 2004) e no The New Statesman (6 de November 2006)[9].
Esta Organização veio a ser reconhecida como Instituição Filantrópica, promotora da Religião Druida, significando praticamente o mesmo que ser reconhecida como uma Religião igual às já existentes na Inglaterra. Efectivamente, é assim que se pode interpretar o comunicado que o Rvd.Philip Ross Nichols Dirigente da Druid Netwrk fez aos seus fiéis:
“É com grande prazer que nós, da Druid Network anunciamos que, em reunião da Comissão da Filantropia, no dia dia 21 de Setembro de 2010, a Druid Netwrk foi reconhecida como Instituição Filantrópica que promove a Religião Druida (…). Esse é o resultado de muitos anos de trabalho, durante os quais a Comissão questionou todos os aspectos da prática, crença e coerência do Druidismo e o carácter de benefício público da Druid Network. Isso significa que o druidismo agora é reconhecido como uma Religião válida de acordo com a Lei de Filantropia da Inglaterra. Isso dá ao Druidismo o mesmo Status de outras Religiões reconhecidas, em todas as áreas, inclusive nos locais de trabalho, um grande passo e motivo de celebração”.
2.5- Druidismo nos Estados Unidos da América
O primeiro Bosque de Druidas nos Estados Unidos foi instituído na cidade de Nova Yorque, em 1830, ramificando-se gradualmente, sendo o da Califórnia instituído em 1858 na velha cidade de Hangtown, hoje conhecida por Placerville, sendo chefiado pelo mesmo fundador do Druidismo californiano P:N:H:A: (Past National Grand Arch)[10].
2.6- Druidismo em Portugal
Também já chegou a Portugal o Druidismo. A notícia dessa chegada, foi dada no dia 27 de Abril de 2011 pelo periódico Sol, nestes termos:
“Sintra foi o local escolhido para acolher a primeira cerimónia do calendário celta, já no primeiro de Maio. É dessa forma que se dá a chegada da Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas a Portugal. Aquele que é um dos mais importantes grupos a nível mundial, dedicado à prática, ao ensino e ao desenvolvimento desta espiritualidade com raízes celtas vai chegar a Portugal. A primeira cerimónia da Ordem em terras lusas será o domingo, data da festividade celta de Beltane (que significa “Fogo de Bel”, uma festividade solar céltica), que está ligada ao redespertar das energias da Terra”
[11].
O nome porque é conhecido o Druidismo em Portugal é OBOD Portugal e já organizou vários eventos de forma a apresentar-se ao público português
[12].
A sede da Ordem situa-se no coração de Sintra; tem o nome de “A Casa do Fauno” e encontra-se “entre Steais e a Quinta da Regaleira, ocupando um terreno que pertenceu, em tempos, ao grão-mestre dos Tem+plários em Portugal e foi passando de mão em mão ao longo dos séculos”.
A Ordem só foi oficializada, a 1 de Maio, numa “cerimónia associada ao Verão, celebrando uma divindade celta chamada Belenus, como o descreve Alexandre, segundo um artigo de Luís Leal Miranda, publicado em 28 de Maio de 2011 intitulado Ordem dos Druidas
[13].
Quanto ao modo de celebrar as cerimónias, em Portugal, o mesmo autor explica:
“Como foi o primeiro ritual organizado, em Portugal, decidimos entreabrir as portas. Os próximos rituais vão ser secretos, limitados a membros para isto não ser visto como um folclore onde as pessoas se vestem de maneira estranha”
Relativamente à indumentária utilizada, acrescenta:
“Os Druidas não têm paramentaria oficial, mas há quem adopte umas vestes brancas iguais às que se crê que eram usadas pelos antigos druidas. 'Serve como uma muleta para enganar o nosso plano mental e despertar a consciência', justifica Alexandre Gabriel”
[14].
Notas
[1] Gaius Plinius Secundus (23-79dC), mais conhecido por Plínio,Velho.
[2] [On-line] [Consult 12-11-2011] Disponível em: http://accessnewage.com/articles/mystic/druids.htm
[3] [On-line] [Consult 12-11-2011] Disponível em: http://www.claudiscrow.com.br/almacelta-busca-relacoes-druidismo.htm
[4] Rediestesia é uma palavra composta, vindo do latim Radium (radiação) e do grego aesthesis (sensibilidade). Costuma definir-se como sendo a “arte de captar e estudar as radiações”. Funciona como o sonar de um navio caçador de minas que emite uma onda, voltando a captá-la, o que permite detectar se existe ou não uma mina no seu trajecto. É utilizado, normalmente, um pêndulo quando se deseja conhecer o que vai acontecer na vida de uma pessoa.
[5] [On-line] [Consult 27-03-2012] Disponível em: (http://news.nationalgeographic.com/news/2009/03/ 090320-druids-sacrifice-cannibalism_2.html National Geographic. (em inglês
[6] http://casadofauno.wordpress.com/casadofaun/ e ainda em http://www.cisionmediapoint.com/Press-Releases/99993088-ordem-dos-druidas-chega-a-portugal
[7] [On-line] [Consult 27-03-2012] Disponível em: http://www.astrologosasttrologia.com.pt/magia­_celta=acerca_dos_druidas.htm.
[8] [On-line] [Consult 27-03-2012] Disponível em: http://legadodecain.wordpress.com/20010/04/30/ wicca-e-druidismo/
[9] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www.obod.com.pt/perguntasfrequentes.htm
[10] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www.neopagan.net/UAODbooklet.html
[11] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=17735
[12] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www.aarffsa.com.br./noricias1/07111047.html.
[13] Ordem dos Druidas. Desde Maio num bosque perto de siJornal i (28 Maio 2011) por Luis Leal Miranda e http://www.obod.com.pt/comunicacaosocial.htm.
[14] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www1.ionline.pt/conteudo/126396-ordem-dos-druidas-maio-num-bosque-perto-si.
Bibliografia
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Jubainville, Henri d'Arbois de (2009). Os Druidas e os Deuses Celtas sob Forma de Animais. Zéfiro. Edição/reimpressão.
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terça-feira, 27 de março de 2012

Capíotulo 8 Os Ovos e os Coelhinhos de Páscoa

Conteúdos
1- Semelhanças e diferenças entre a Páscoa Hebraica e Páscoa Cristã
2- O Ovo como símbolo da Fertilidade e da Renovação
3- O Coelho como símbolo da Páscoa
4- Como se propagaram ambos os símbolos no mundo cristão
4.1- Os ovos pintados
4.2- Dos ovos de galinha pintados aos ovos de Fabergé
4.3- Tradição do Coelho com os seus ovos de Páscoa
Bibliografia




1- Semelhanças e diferenças entre a Páscoa Hebraica e Páscoa Cristã
Embora se diga que a Páscoa Cristã revitaliza a Páscoa Hebraica, será bom esclarecer que nem tudo na segunda corresponde exactamente aos usos e costumes da primeira. Existem, sim, semelhanças, mas essas são ultrapassadas, de longe, pelas diferenças.
Se, por um lado, a Páscoa Cristã se apresenta como a celebração da passagem da escravidão para o estado da libertação, à semelhança da Páscoa Hebraica, o cordeiro imolado desta última foi substituído, por uma única vez, pela sacrifício de Jesus Cristo, constituindo este facto a maior diferença entre ambas essa Páscoas.
Outras semelhanças existem no que respeita à Refeição comemorativa dessa “Passagem”. Enquanto na Páscoa Hebraica a Refeição comemorava a saída, à pressa, do Egipto, a Refeição da Páscoa Cristã chamou-se a Última Ceia por comemorar a última refeição que Jesus tomou com os seus discípulos e que, por sinal, teve lugar no período da comemoração da Páscoa Hebraica. Também aqui existem semelhanças, na fracção do pão e na participação do mesmo cálice de vinho, que foram ultrapassadas pelas diferenças porquanto a Última Ceia foi consagrada onde o pão e o vinho passaram a significar o corpo e o sangue de Cristo na Eucaristia.
Outras semelhanças e diferenças podem encontrar-se entre ambas as Páscoas no que diz respeito à verdade da Renovação da Natureza. Se a Páscoa Hebraica era celebrada por volta do Equinócio da Primavera em comemoração do início da nova Estação –, renascendo com ela a Natureza –, a Páscoa Cristã é igualmente celebrada nessa mesma altura e dá-se-lhe a significação de uma nova vida – a Ressurreição de Cristo.
Perante estas semelhanças e diferenças não é de admirar que também fossem adoptados no Cristianismo, os usos e os símbolos que eram mais comuns na Páscoa Hebraica, como o uso dos Ovo e do coelho, realidades aliás utilizados igualmente noutras civilizações antigas como símbolos da fertilidade e da renovação.
2- O Ovo como símbolo da Fertilidade e da Renovação
Percorrendo a literatura dos povos antigos vamos encontrar o uso do Ovo como símbolo do Renascimento da vida. Vejamos o seu uso nalguns povos anteriores ao Cristianismo.
Começando pela tradição hebraica, podemos dizer que, uma vez que o ovo não perde a sua forma, mesmo depois de cozido, como acontece com os outros alimentos, ele foi escolhido como símbolo do Povo de Israel, sendo por isso, que na Ceia Pascal o chefe da família se levanta em determinado momento e diz esta frase: “"O povo de Israel é como esse
ovo, que, quanto mais cozido na dor e no sofrimento, mais preserva sua unidade e a sua identidade"[1].
Segundo Juan-Eduardo Cirlot
[2], o ovo é o símbolo da imortalidade, sendo usado “na escrita hieroglíficas dos egípcios, por ser considerado como contendo em si o que é potencial, o princípio da geração, o mistério da vida. Por esta mesma razão tem sido utilizado pelos alquimistas. Enfim, o ovo é o símbolo cósmico na maioria das tradições, desde a Índia até aos druidas celtas.
Assim, para os Egípcios, o deus Re, nasceu de um ovo, enquanto para os Indus, Brahma surgiu de um ovo de ouro – Hiranyagarbha, fazendo da casca o Universo. Na Índia considera-se ainda que o ovo cósmico, nascido das águas primordiais, foi chocado pela gansa chamada Hamsa e que o que nasceu desse ovo é o Espírito, ou Sopro divino que se separou em duas metades para formarem o Céu e a Terra, sendo este facto a polarização do Andrógino
[3] ou do Hermafrodita. Por isso, “na tradição tântrica e hindu, Shiva, um ser andrógino, é frequentemente representado abraçado a Shakti, a sua própria potência e essência feminina eleita a divindade” (…), passando o andrógino a ser “sinónimo de totalidade, tanto no princípio como no fim dos tempos, reunindo em si a plenitude, roubada pela divisão dos sexos que a união do casamento volta a reunir”. Exemplo da androginia encontra-se nas antigas mitologias de “Adónis, Castor e Pólux”, assim como de “outras divindades que em geral têm uma natureza bissexual, reproduzindo-se a partir de si mesmas, dado que encerram em si as naturezas feminina e masculina”[4].
O mito grego de Castor e Pólux narra o nascimento estes dois personagens como fruto de ovos "postos" por Leda, rainha de Esparta
[5], ao ser seduzida por Zeus, que lhe apareceu sob a forma de um cisne[6]. Além do nascimento destes dois personagens, outros ovos da mesma Leda “deram origem aos deuses Dióscoros, usando cada um deles um toucado semi-esférico”[7] . O ovo era, na verdade, considerado por diversos povos antigos, como a origem dos humanos[8].
Segundo a mesma fonte
[9], “o Yin-yang chinês, polarização da Unidade primeira, apresenta um símbolo idêntico nas suas duas metades, negra e branca”[10]. Seguindo esta mentalidade muitos heróis chineses foram considerados como gerados a partir de ovos fecundados pelo Sol, ou a partir da ingestão pelas suas mães de ovos de aves[11] e P’an Ku, nasceu de um ovo cósmico[12].
Na antiguidade os ovos, símbolos da renovação da natureza eram enterrados nas terras de cultivo pelos agricultores na esperança de obterem uma boa colheita e existiu igualmente o costume de alguns serem pintados para serem oferecidos entre amigos e familiares
[13].
3- O Coelho como símbolo da Páscoa
Já no antigo Egipto, o coelho (ou a lebre) era símbol da fertilidade devido à sua incrível capacidade de procriação.
Quanto ao coelho da Páscoa, parece ter a sua origem na lebre sagrada da deusa Eastra (Harek), uma deusa germânica da Primavera
[14].
Era ela, a lebre ou coelho, que trazia os ovos. Noutras regiões, como na Westphalia (Alemanha), tal papel era exercido pela "raposa da Páscoa". Na Macedónia (Grécia) essa função cabia à "Paschalia" que significava o "Espírito do dia"
[15].
Efectivamente, em várias regiões, a lebre é considerada uma divindade. Ela está relacionada com a deusa lunar Hécate na Grécia; e, além da deusa Eastra, tem-se o seu equivalente que é a deusa Harek
[16] dos germanos, que era acompanhada por lebres[17], consideradas como símbolos da fertilidade, devido à grande capacidade de se reproduzir. Segundo os anglo-saxões e também os chineses, o coelho ou a lebre encontra-se associada à Primavera, embora segundo a tradição bíblica (Deuteronómio, 14:7), este animal seja considerado um animal imundo[18].
Por essa razão a mitologia egípcia dá “o aspecto de lebre ou coelho ao grande iniciado Osíris que é despedaçado e deitado nas águas do Nilo como garantia da regeneração periódica”. É curioso notar que ainda nos nossos dias os camponeses Xiitas da Anatólia explicam a proibição alimentar em relação à lebre dizendo que este animal é a reencarnação de Ali (o verdadeiro intercessor entre Alá e os Crentes)
[19].
Na Índia “pode citar-se a Sheshajataka onde o Bodhissattva aparece sob a forma duma lebre para se lançar em sacrifício no fogo”
[20].
No Taoismo, a Lua e a lebre morrem para renascerem, tornando-se esta imagem na teologia taoista, a preparadora do o elixir da imortalidade, sendo a “lebre representada a trabalhar à sombra duma figueira, a moer ervas num almofariz”
[21].
4- Como se propagaram ambos os símbolos no mundo cristão
4.1- Os ovos pintados
Como a Páscoa Cristã comemorava a morte e a ressurreição de Cristo, isto é a passagem da morte à vida e calhava mais ou menos no fim do Inverno e princípios da Primavera, tomou-se tanto esse rito, como a festa pagã correspondente e cristianizaram-se, uma vez que o ovo poderia muito bem simbolizar a morte e a ressurreição (vida nova) de Cristo.
O costume de pintar os ovos no cristianismo, à imitação dos Egípcios, começou no Oriente, sendo os Ortodoxos os grandes especialistas dessa arte. Parece ter-se propagado, primeiro na Rússia, passando deste país, depois, para a Grécia, vindo a predominar as cores vermelhas.
4.2- Dos ovos de galinha pintados aos ovos de Fabergé
Na Bulgária existe a luta do ovo. Cada jogador toma ovos nas mãos e luta, tentando chegar ao fim da luta com eles intactos. Quem ganhar será o mais feliz durante o ano que aí começa e finda na Páscoa seguinte.
A tradição da oferta de ovos passou à Inglaterra, onde Eduardo I oferecia aos seus protegidos ovos banhados a ouro
Em França Luís XIV introduziu o costume de oferecer ovos de madeira, porcelana, metal nos quais introduzia surpresas. Por exemplo, Luís XV presenteou a sua amante Madame du Barry com um ovo onde estava pintado a estátua de Cupido.
Estas tradições inspiraram Peter Carl Fabergé a criar os famosos “Ovos Fabergé” que são decorados com desenhos cheio de detalhes e crivados de pedras preciosas, sendo todos eles criados para a família imperial russa, medindo cada um cerca de 13 centímetros.
Os ovos podiam ser feitos de prata, ouro e cobre ou de pedras semi-preciosas encontradas na região, como o quartzo,o jade e a lápis-lázuli. No século XIX, poucas cores eram utilizadas e a esmaltação translúcida era uma técnica muito apreciada.
Fabergé criou mais de 140 tonalidades. Sobre a base do ovo era feito um desenho, que era coberto de muitas pedras preciosas, principalmente diamantes. Eram jóias muito sofisticadas e de enorme valor, feitas em ouro, diamantes e pedras preciosas, aludindo aos tradicionais ovos de Páscoa.
A tradição dos ovos de Fabergé começou em 1885, quando Alexandre III, czar da Rússia, procurou o mais famoso joalheiro da corte, Peter Carl Fabergé
[22] e encomendou um ovo de Páscoa para dar de presente a imperatriz Marie Feodorovna.
No ano seguinte fez a mesma coisa e assim continuou fazendo até sua morte. Fabergé era a mais importante joalheira existente na Rússia ao final do século XIX e início do século XX.
A essa joalheira, os czares russos encomendavam a confecção de ovos de Páscoa para serem oferecidos por ocasião da festa.
Os ovos Fabergé foram todos criados para os czares Alexandre III e seu filho, Nicolau II, no período de 1885 a 1917, sendo oferecidos durante a Páscoa entre os membros da família real. O último dos ovos foi feito em 1917, visto que o imperialismo russo estava a atingir o seu termo. Uma vez que as greves e revoltas populares anunciavam a queda do czar Nicolau II, Fabergé decidiu encerrar a sua joalharia, em 1916, poi que ela era considerada pelos revolucionários como um símbolo da riqueza pervertida do imperialismo czarista. Efectivamente, a 15 de Março de 1917 o Czar Nicolau II abdicou, sendo preso e levado com a família para a Sibéria, deixando encomendados ainda dois ovos cujas temáticas ficaram conhecidas por “Madeira de Karelia” e “Constelação”, mas que nunca vieram a ser terminados
[23].
Actualmente são jóias raríssimas, e quando alguma peça destas aparece num leilão de arte chegaa atingir o belo montante de cinco milhões de dólares americanos, ou seja, cerca de 3.759.398 €
[24]
Actualmente, a Casa Fabergé está representada na França, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e Brasil. Mas os artistas de agora reproduzem os desenhos dos originais do século XIX e inícios do século XX, mas em séries limitadas
[25].
4.3- Tradição do Coelho com os seus ovos de Páscoa
Como no antigo Egipto o coelho simbolizava o nascimento e a nova vida e nalguns povos da antiguidade era símbolo da Lua, do amor e da fertilidade[26] é possível que este animal se tenha tornado símbolo pascal devido ao facto de a Lua determinar a data da Páscoa.
Este animal tornou-se popular na Alemanha, como símbolo da Páscoa. As crianças esperavam que os coelhos lhes trouxessem os ovos da Páscoa e esta convicção propagou-se na América do Norte e no Brasil, através dos alemães que para ali emigraram, entre os finais do século XVII e inícios do século seguinte
[27].
Ao contrário das crianças alemãs, as crianças checas esperam que os presentes pascais lhes sejam trazidos pelas cotovias
[28] (aves muito comum também em Portugal) e as crianças Suíças esperam que os ditos presentes lhes sejam ofertados pelos cucos, não fossem estas aves utilizadas para anunciarem as horas do dia por meio dos célebres “relógios cuco”!
Notas
[1][On-line] [ Consult 26-03-2012] Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/materia/por-que-o-ovo-e-o-coelho-sao-simbolos-da-pascoa.
[2] Dicionário de Símbolos, p. 435
[3] Chevalier et Gheerbrant, 1994, p. 497
[4] [On-line] [ Consult 27-03-2012] Disponível em: http://www.infopedia.pt/$androgino
[5] Fontana, 2004, p. 145
[6] Dicionário de Símbolos, p. 435.
[7] Chevalier et Gheerbrant, 1994, p. 497
[8] "Páscoa: que significa realmente?" in Jornal da Tarde, 7 de Abril de 1982.
[9] Ibidem
[10] Chevalier et Gheerbrant, 1994, p. 497
[11] Ibidem.
[12] "Os ovos" in "Homem Mito e Magia" da Ed. Três, v. III, pag.718.
[13] "PÁSCOA" in Enciclopédia Delta Universal, v.11, pag. 6125 (ed.80).
[14] "Os ovos" in "Homem Mito e Magia"...
[15] Ibidem
[16] “Na mitologia, Hécate era filha dos titãs Perseu (masc.) e Asteria - (fem. Gr.: Ἀστερία, "das estrelas, a estrelada”) (…) Como Diana, a caçadora, Hécate pertence à classe das deidades portadoras de archote (…) Embora os cães fossem os animais mais sagrados para ela, Hécate estava associada às lebres na antiga Grécia, como a sua equivalente germânica, a deusa lunar Harek. Na arte, Hécate é muitas vezes representada como uma mulher com três cabeças, com serpentes sibilantes entrelaçadas em seu pescoço. Por essa razão, ela é chama­da de Triforme — símbolo que pode estar ligado aos três níveis. Nascimento, Vida e Morte (representando o Passa­do, o Presente e o Futuro) e à trindade da Deusa Tripla: Virgem, Mãe e Anciã [http://www.astrologosastrologia.com.pt/hecate_RitualInvocacaoHecate.htm].
[17] "Lebre" in "Dicionário de Símbolos" de Cirlot, pag. 337.
[18] "Páscoa, comemoração universal" in Shopping News-City News-Jornal da Semana, 26 de Março de 1989, pag.43. Cf. [On-line] [ Consult 26-03-2012] Disponível em http://www.angelfire.com/in/zadoque/peschah.html.
[19] Chevalier et Gheerbrant, 1994, p. 403.
[20] Ibidem.
[21] Ibidem.
[22] Peter Karl Fabergé, nasceu em 18/05/1846 em São Petersburgo, Rússia e teria como nome de baptismo Karl Gustavoich Fabergé.
[23] [On-line] [ Consult 26-03-2012] Disponível em: http://virtualia.blogs.sapo.pt/43173.html.
[24] (1€=1.33UsaD cotação de 27 de Março de 2012).
[25] [On-line] [Consult 26-03-2012] Disponível em: http://www.girafamania.com.br/europeu/materia_russia-faberge.html
[26] Fontana, 2004, p. 158.
[27] [On-line] [ Consult 26-03-2012 ] Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Coelhinho_da_P%C3%A1scoa.
[28] “A cotovia-de-poupa é uma espécie que se encontra bem distribuída por toda a Europa. Tem um bico castanho claro, comprido e encurvado e uma cauda curta arruivada na parte exterior. A parte superior do corpo é malhada de castanho e castanho amarelado, sendo o peito e o abdómen mais claros. Chega a medir 17 cm de comprimento, e voa sozinha ou em grupos que não ultrapassam os 10 indivíduos. Alimenta-se de sementes e insectos e nidifica entre Abril e Junho numa cova no chão. Põe entre 3 a 5 ovos de cor branco sujo com manchas castanho avermelhadas, que são incubados pela fêmea durante 12/13 dias” [http://www.bragancanet.pt/patrimonio/faunacotovia.htm].

Bibliografia
Chevalier, Jean et Cheebrant, Alain (1994). Dicionário dos Símbolos. Mitos, Sonhos, Costumes, Gestos, Formas, Figuras, Core, Números. Tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra. Lisboa: Editorial Teorema.
Cirlot, Juan Eduardo (1997). Diccionario de Simbolos. Edição/reimpressão: 1997. Páginas: 480. Editor: SIRUELA. Idioma: Espanhol.
Enciclopédia Delta Universal, 15 volumes, Rio de Janeiro, Editora Delta. SA., 1932.
Fontana, David (2004). A Linguagem dos Símbolos – Uma chave ilustrada para os Símbolos e seus Significados. Lisboa: Editorial Estampa.
Shopping News-City News-Jornal da Semana, 26 de Março de 1989, pag.43.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Capítulo 6: Ateísmo

Conteúdo

1- Definição de ateísmo
2- Fundamento da Negação de Deus e tipos de ateísmo
2.1- Há vários tipos de ateísmo
2.1.1- Ateísmo lógico
2.1.2- Ateísmo semântico
2.1.3- Um ateísmo explícito
2.1.4- Um ateísmo implícito (fraco, passivo ou agnóstico
2.1.5- Ateísmo Militante
2.2- Ateus confessos
2.2.1- Na antiguidade
2.2.2- Na Idade Média
2.2.3- No século XVIII
2.2.4- No século XIX
2.2.5- No século XIX


3- Ateísmo na Bíblia
4- Bibliografia


1- Definição de ateísmo
“Ateísmo” é uma palavra composta que deriva do grego άθεος, àtheos, e é formada, pelo prefixo α– privativo, (sem) e pelo substantivo θεός, «deus», vindo a significar, literalmente, “Sem Deus”. Aparece, por exemplo na Epístola de São Paulo aos Efésios (cap. 2, 11-12)[1], no início do século III, num belíssimo texto que opõe a vivência cristã à vivência pagã e que pode comparar-se ao texto da carta aos Romanos (Rom. cp. 3, vv. 9, 10, 22).
Eis o texto grego da carta aos Efésios, cap. 2,11-12[2]
2:11 Δίο μνημονεύετε ότι υμείς ποτέ τα έθνη εν σάρκα οι λεγόμενοι ακροβυστία υπό της λεγόμενης περιτομής εν σάρκα χειροποίητου 2:12 ότι ηίτε (eíte) εν τω καιρώ εκείνω χωρίς χριστού απαλλοτριωμένοι της πολιτείας του Ισραήλ και ξένοι των διαθηκών της επαγγελίας ελπίδα μη έχοντες και άθεοι ...
2,11: Por isso recordai-vos que vós anteriormente éreis gentios na carne, assim dito pelos incircuncisos (de prepúcio incircuncisos) …2,12: que estáveis nesse tempo sem Cristo, separados da assembleia de Israel e estranhos aos testamentos, sem esperança da promessa, e sem Deus neste mundo.
• εθνη εν σαρκι - "Gentios na carne" — v. 11;
• οι λεγομενοι ακροβυστια υπο της λεγομενης περιτομης - "Chamados de prepúcio cortado em circo” (= circuncisão) — v. 11;
• εν σαρκι χειροποιητου – “Na carne feita à mão”;
• οτι ητε εν τω καιρω – Que em tempos;• ητε εκεινω "Estáveis";
• χωρις χριστου - "sem Cristo" — v. 12;• απηλλοτριωμενοι της πολιτειας του ισραηλ - "Excluídos da Cidade de Israel" — v. 12;• ξενοι των διαθηκων της επαγγελιας ελπιδα - "Estranhos aos concertos da promessa ou testamento" — v. 12;
• μη εχοντες - "Não tendo esperança" — v. 12;• αθεοι εν τω κοσμω - "Sem Deus no mundo" — v. 12.
Em sentido alargado, “Ateísmo” é a rejeição ou ausência da crença em qualquer deus ou seres sobrenaturais. O ateísmo contrasta com o teísmo, que, em sua forma mais geral, acredita na existência, pelo menos, de uma divindade. Num sentido mais restrito, o ateísmo é precisamente a posição de quem nega a existência da divindade, seja ela qual for, e vive como tal[3]. 2- Fundamento da Negação de Deus e tipos de ateísmo
Os ateístas crêem que se admitirmos a existência de Deus teríamos de admitir que a sua existência seria uma “barreira ao exercício da liberdade humana”[4] e tornaria incompreensível a existência do mal. Na verdade, se Deus existe, como se explica a existência do mal, sobretudo aquele que atinge os inocentes e indefesos?
Esta definição, porém, foi-se modificando no decorrer dos tempos e consoante as religiões professadas. Na verdade, na antiga Roma dava-se o nome de “ateus” a todos aqueles que não acreditavam e não aceitavam a adoração prestada aos deuses do Panteão Romano, sendo aplicada especialmente aos Cristãos.
Se para os teístas é fácil explicar a existência do mal, baseando essa realidade no facto da liberdade humana pela qual o homem pode escolher entre o bem e o mal, para os ateístas é completamente incompreensível o facto da existência do mal em crianças que nascem devido a deformações genéticas a que elas são alheias e em pessoas que sofrem violência física e moral de outras pessoas às quais não podem resistir de maneira nenhuma. Segundo os ateístas, pelo menos nestes casos, parece que é mais lógico admitir a não existência de Deus.
Uma outra dificuldade que contrapõem os ateus relaciona-se com a “Omnisciência” e “Omnipotência de Deus”. Será difícil compreender como é que “Deus omnisciente” pode ser, ao mesmo tempo, “todo misericordioso” e como é que poderá ser “omnisciente” sem ter um “corpo físico”.
2.1- Outros tipos de ateísmo
2.1.1- Ateísmo lógico: é aquele que defende que a ideia de Deus é contraditória em si;
2.1.2- Ateísmo semântico: defende que o conceito de Deus é simplesmente vazio, ou seja, não tem qualquer referente que lhe possa corresponder.
2.1.3- Um ateísmo explícito
Neste ateísmo, o homem rejeita consciente e voluntariamente a crença na existência de um deus. Aqui pressupõe-se um conhecimento das crenças teístas, que são deliberadamente rejeitadas. Este ateísmo identifica-se com ateísmo “activo” ou “forte”.
2.1.4- Um ateísmo implícito (fraco, passivo ou agnóstico
É o ateísmo professado por uma pessoa que não acredita em um deus, embora não rejeite nem negue, explicitamente, a verdade do teísmo. Isto é: consiste apenas na “simples descrença” em relação à existência de Deus ou da multiplicidade de divindades[5]. Estaremos, portanto, diante de um ateísmo antropomórfico, cósmico seja, perante o ateísmo de Espinosa, segundo Smith em “Atheism - The Case Against God”[6]. Estaremos, neste caso, portanto, perante um ateísmo “passivo” ou “fraco”.
2.1.5- Ateísmo Militante
O ateísmo na acepção dos números precedentes pode ser englobado no nome genérico de “Ateísmo Teórico” que, normalmente é “tolerante”. Mas esse ateísmo pode tornar-se “militante” quando a sua doutrina “é propagada como sendo um meio de salvação do Género Humano e quando ela combate acerrimamente todas as formas de religião, apresentando-as como uma aberração”[7].
2.2- Ateus confessos[8]
Vários foram os homens de ciência que professaram o ateísmo, tanto na antiguidade, quanto na idade contemporânea.
2.2.1- Na antiguidade
O melhor representante desta época é Lucrécio, poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C.. Foi um dos Padres da Igreja do primeiro século, porém, a sua doutrina nem sempre correspondeu ao sentir da Igreja. No seu célebre poema De Natura Rerum (Sobre a Natureza das Coisas)[9] expõe a filosofia de Epicuro de Samos, onde ele defende que o epicurismo poderia desvendar os segredos do universo e proporcionar a felicidade da alma humana, que, segundo ele próprio, era mortal.
2.2.2- Na Idade Média
Na Idade Média (do V ao XV século) houve várias correntes de pensamento contrárias aos teístas, como por exemplo, o cepticismo cuja doutrina defende a impossibilidade de se alcançar o “verdadeiro conhecimento” e o naturalismo, segundo o qual quem governa o mundo são apenas as forças naturais.
2.2.3- No século XVIII
Vários pensadores Iluministas (1700-1789) eram ateus militantes, incluindo o escritor dinamarquês Baron Holbach (1723 – 1789) e o enciclopedista francês Denis Diderot (1713 – 1784).
Literatos ingleses como: os poetas Percy Shelley (1792-1822), Lord Byron (1788 – 1824) e o novelista Thomas Hardy (1840 – 1928).
Filósofos franceses, como Voltaire (François-Marie Arouet (1694 –1778).
2.2.4- No século XIX
A este século pertencem os filósofos alemães : Ludwig Feuerbach (1804– 1872), Karl Marx (1818 –1883), Arthur Schopenhauer (1788–1860) e Friedrich Nietzsche (1844 –1900).
Escritores, como o novelista russo, Ivan Sergeyevich Turgenev (1818 – 1883;
Escritores americanos, como Mark Twain (1835 – 1910) e Upton Sinclair (1878 – 1968):
2.2.5- No século XIX
Do século XX são: o filósofo britânico, Bertrand Russel (1872 – 1970), o psicanalista austríaco, Sigmund Freud (1856 – 1939), o filósofo e escritor francês, Jean-Paul Sartre (1905-1980).
2.2.6- No século XXI
Na China hodierna os militantes do Partido Comunista chinês têm de ser ateus, como se depreende da notícia que foi publicada nos jornais portugueses (Público e Diário de Notícias[10], de 20 de Dezembro de 2011, como aqui retransmitimos:
“Os militantes do Partido Comunista Chinês estão proibidos de seguir qualquer religião, devendo pelo contrário promover o marxismo e o ateísmo[11] proclamou um responsável da organização citado hoje na imprensa oficial.
"Se o Partido levantasse a proibição (de seguir uma religião), como algumas sugerem, isso teria perniciosas consequências", escreveu Zhu Weiqun, vice-ministro do departamento do Comité Central do PCC encarregue dos contactos com sectores exteriores ao Partido (a chamada Frente Unida).
"Os organizações do Partido ficariam altamente enfraquecidas na luta contra o separatismo" se os seus membros se convertessem a uma religião, argumentou o responsável.
Zhu Weiquan referia-se em particular ao Tibete e a Xinjiang, duas regiões maioritariamente habitadas por etnias de religião budista ou muçulmana, e onde "as forças hostis, internas e externas, fazem tudo o que podem para usar a religião para atividades separatistas".
"Não é por acaso que as organizações do Partido em Xinjiang e no Tibete, onde a luta anti-secessão é mais aguda, advoguem tão nitidamente que os seus membros não devem acreditar em nenhuma religião", acrescentou.
A liberdade de religião está consagrada na Constituição chinesa, mas os membros do PCC - mais de 80 milhões - têm de seguir "a visão marxista do mundo" e "não podem participar em actividades religiosas", realçou Zhu Weiqun, num artigo publicado no quinzenário Procurar a Verdade, o nome da revista teórica do Comité Central do PCC”.
No entanto, a Constituição da República Popular da China, de 4 de Dezembro de 1982 garante a liberdade religiosa aos seus cidadãos, como se lê no seu Artigo 36º:
Artigo 36.º da Cosntituição da República Chinesa de 1982
"Os cidadãos da República Popular da China gozam de liberdade de crença religiosa.
Nenhum órgão do Estado, organização pública ou indivíduo pode obrigar os cidadãos a acreditar ou a não acreditar em qualquer religião; nem pode exercer discriminação contra cidadãos por estes pertencerem ou não a qualquer religião.
O Estado protege as actividades religiosas normais. Ninguém pode servir-se da religião para se dedicar a actividades que alterem a ordem pública, ponham em perigo a saúde do cidadão ou interfiram no sistema educativo do Estado.
As instituições religiosas e os assuntos religiosos não estão subordinados a qualquer domínio estrangeiro”. (cf. http://bo.io.gov.mo/bo/i/1999/constituicao/index.asp)[12].
3- Ateísmo na Bíblia
A Bíblia[13 refere-se também ao Ateísmo, advertindo claramente em, pelo menos seis passagens bíblicas, que admiti-lo equivale a demonstrar uma incongruência.

1º Texto: Salmo 10, 4:
“Diz o ímpio na arrogância do seu espírito: “Não castigará; Deus não existe” (Soares, 1964, p. 612).
2º Texto: Salmo 13,1:
“O insensato diz no seu coração: “Não há Deus”. Os homens corromperam-se, praticaram acções abomináveis; não há quem faça o bem” (Idem, p. 614).
3 º Texto: Salmo 18, 1-6:
“Os céus anunciam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos…” (Idem, p. 617).
4º Texto: Salmo 53,1-2:
“Diz o néscio no seu coração: “Não há Deus”. Perverteram-se os homens, cometeram acções abomináveis; não há quem faça o bem (Idem, p. 636).
5º Texto: Romanos 1,19-28:
“Com efeito a ira de Deus manifesta-se do céu contra toda a impiedade e injustiça daqueles homens que retêm na injustiça a vontade de Deus; porque o que se pode conhecer de Deus, lhes é manifesto, porque Deus lho manifestou…” (Idem, p. 1355).
6º Texto: Efésios 2,12:
“… estáveis nesse tempo sem Cristo, separados da sociedade de Israel, e estranhos aos testamentos, sem esperança da promessa, e sem Deus neste mundo…” (Idem, pp. 1408-1409).

Leitura aconselhada
“Ateísmo, consequência natural do Evolucionismo” Por Fabio Vanini. In Evolucionismo – [Online] [Consult 13-12-2011] Disponível em: http://www.respostacatolica.com.br/index.php?pag=42.




Notas
[1] Possivelmente escrita nos inícios do século III.
[2] Nestlé-Aland,1963, p.492
[3] Rowe, William L. (1998). "Atheism". Routledge Encyclopedia of Philosophy. Ed. Edward Craig. Taylor & Francis.. Consultado em 2011-01-26.
[4] [Online] [Consult 10-12-2011] Disponível em: http://www.infopedia.pt/$ateismo.
[5] [Online] [Consult 10-12-2011] Disponível em: http://ateus.net/artigos/ateismo/ateismo/.
[6] [Online] [Consult 12-12-2011] Disponível em: http://www.mphp.org/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=30 (Filipe Mogan).
[7] Rahner, K., 1968, p. 116.
[8] [Online] [Consult 10-12-2011] Disponível em: http://ateus.net/artigos/ateismo/ateismo/
[9] Esta obra foi traduzida para português pelo latinista, filósofo, ensaísta e escritor e professora da Universidade de Lisboa Agostinho da Silva (George Agostinho Baptista da Silva) e foi publicada no volume V da colecção Os Pensadores da editora Abril Cultural.\
[19][Online] [Consult 20-12-2011] Disponível em: http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?%20content_id=2196667&seccao=%C1sia.
[11] Nota do autor: Desta máxima marxista-comunista surgiu a doutrina católica, segundo a qual “um verdadeiro católico” não poderá seguir a doutrina marxista nem comunista. Na verdade, na base do marxismo e do comunismo está o ateísmo que contradiz qualquer religião.
[12] Uma coisa, no entanto, é a teoria e outra é a prática. Uma coisa é para consumo interno, outra é para exportação.
[13] Soares, 1964, Bíblia Sagrada. São Paulo: Edições Paulistas

4- Bibliografia
Arvon, Henri (1974). O Ateísmo. Europa-América.
Baggini, Julian (2003). Atheism: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press.
Cancian, André Dispore (2005). Ateísmo e Liberdade. São José do Rio Preto: Edição 5.
Eurostat poll on the social and religious beliefs of Europeans (PDF). Disponível em Eurostat poll.
Gabriel, João (2006). "ASBER, organização de ateus que buscam justiça democrática". Rio de Janeiro (Colecção Religiões: Seus Prós e Contras).
Lagrange, Frédéric, A. (1925). History of Materialism and Criticism of Its Present Importance, with an introduction by B. Russell (3rd ed.).
Nestlé-Aland (1963/1969). Novum Testamentum Graece et Latine. London: United Bible Societies.
Rahner, Karl (1968). “Atheism”. In Karl Rahner editor, in Sacramentum Mundi, Vol. 1, pp. 116-122. Burns & Oates.
Rideau, Émile. (1953). Paganisme ou Christianisme. Études sur l’athéisme moderne. Casterman.
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Soares, Matos (1964). Bíblia Sagrada. São Paulo: Edições Paulinas.
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Thorower, James (1982). Breve história do ateísmo ocidental. São Paulo: Edições 70. (Colecção Saber da Filosofia).
Zdybiska, Zifia, J. (2005). Universal Encyclopedia of Philosophy: Polish Thomas Aquinas Association, vol. 1.

sábado, 5 de novembro de 2011

Capítulo 5: Separação dos Cristãos do Oriente dos do Ocidente

Preâmbulo
1- Os Judaizantes (séc. I)
2- Simão Mago (séc. I)
3- Os Nicolaítas (no final do séc. I)
4- Gnosticismo (séculos I e II)
5- Monarquismo (ou Monarquianismo à maneira brasileira)? (Começado por volta do ano 170)
· O Adopcionismo
· O Modalismo
6- Os Montanistas (séc. II - cerca do ano 172
7- O Ebionismo (séc. II)
8- O Maniqueísmo
9- O Milenarismo ou Quiliasmo
10- A caminho da cisão definitiva
· 1º- O amanhecer da cisão - o Arianismo
· 2ª Cisão – o Macedonianismo
· 3ª Cisão – o Nestorianismo
· 4ª Cisão – o Monofisismo
· 5ª Cisão – o Monotelismo
· 6ª Cisão – os Iconoclastas
· 7ª Cisão – o Grande Cisma Cristão
5- Divisões na Igreja Romana
11- Bibliografia






Preâmbulo
Pergunta-se, por vezes quando é que se deu a separação entre as Igrejas Orientais e a Igreja Católica. Pois bem, se a separação definitiva teve lugar em 1054 (séc. XI), ficando a ser conhecido pelo nome de “Grande Cisma”, os seus começos remontam a tempos muito anteriores.
Talvez não esteja demasiado desajustada a afirmação de que a separação entre Cristãos do Oriente e Cristãos do Ocidente tenha começado verdadeiramente no século IV, por três razões que passo a apontar:
1ª Basear-se no aparecimento de heresias que foram condenadas em Concílios Ecuménicos[1], ou seja, em Concílios nos quais tomaram parte Bispos de Roma e do Patriarcado de Constantinopla;
2ª Motivar a consolidação de uma nova igreja de cariz cristão que se separou, passando a organizar-se e a promover-se separadamente das Igrejas de Roma e de Constantinopla;
3ª Basear-se na efectiva divisão do Império de Constantino em dois impérios: o do Oriente e o do Ocidente que ocorreu em 395, durante o governo do Imperador Teodósio, ficando Bizâncio (com o novo nome de Constantinopla) capital do império do Oriente e Roma como Capital do Império do Ocidente.
Antes de tratar o tema da separação entre Cristãos Orientais e Cristãos Ocidentais convém recordar que, ainda antes da separação definitiva, iniciada no século IV, já tinham existido outras muitas heresias, atribuídas a líderes que fundaram e dirigiram grupos de cristãos que vieram a causar dissidências no seio do Cristianismo Prmitivo, mas que, nem por isso, as considero causadoras de verdadeiros cismas entre esses dois principais blocos cristãos (Oriente e Ocidente), mas tão somente divisões dentro do Cristianismo dos três primeiros séculos. São elas as seguintes:
1- Os Judaizantes (séc. I)
Trata-se de uma corrente, originada entre os primeiros discípulos de Cristo. Como era sabido, os cristãos de Jerusalém, cujo chefe era o Apóstolo Tiago, opinavam que os convertidos por Paulo em Antioquia e Ásia Menor deveriam ser obrigados a circuncidarem-se e a sujeitarem-se aos preceitos mosaicos. Os Cristãos de Jerusalém quiseram exigir de Tiago que tais obrigações fossem impostas a esses e a todos os convertidos vindos do paganismo. Contra estas exigências, apadrinhadas pelo próprio Pedro, insurgiu-se Paulo. Reuniram-se os Apóstolos em Jerusalém, entre os anos 49-50 e aí ficou determinado aquilo que Tiago expôs numa Carta Apostólica a qual foi enviada aos Cristãos da Síria e da Cilícia pelos seus enviados, Barnabé e Paulo, com os quais seguiram também Judas e Silas tendo estes a incumbência de a comunicarem de viva voz:

Os apóstolos e os anciãos, vossos irmãos, aos irmãos dentre os gentios que moram em Antioquia, na Síria e na Cilícia, saudações! Tendo sabido que alguns dos nossos, sem mandato de nossa parte, saindo até vós, perturbaram-vos, transtornando vossas almas com suas palavras, pareceu-nos bem, chegados a pleno acordo, escolher alguns representantes e enviá-los a vós junto com nossos dilectos Barnabé e Paulo, homens que expuseram suas vidas pelo nome de nosso Senhor, Jesus Cristo. Nós vos enviamos, pois, Judas e Silas, os quais vos transmitirão, de viva voz, esta mesma mensagem. De fato, pareceu bem ao Espírito Santo, e a nós, não vos impor nenhum outro peso além destas coisas necessárias: que vos abstenhais das carnes imoladas aos ídolos, do sangue, das carnes sufocadas, e das uniões ilegítimas. Fareis bem preservando-vos destas coisas. Passai bem. (Act., 15, 23:29, cf. Soares, 1964, p. 1333).
2- Simão Mago (séc. I)
Um Mago da Samaria (possivelmente o iniciador do Gnosticismo cristão) e referido nos Actos dos Apóstolos (cap. 8, 9-24). Para os Gnósticos, o mago da Samaria era um "rival" de Cristo e fundou uma seita que se proclamava representante da Gnose, juntamente com a sua companheira Helena, uma ex-prostituta, que, segundo o mago, era a encarnação de Sophia e de Helena (Ἑλένη) de Tróia[2].
3- Os Nicolaítas (no final do séc. I).
O seu nome significa "vitória sobre o povo" ou "os que dominam o povo". Deixavam-se levar por uma liberdade exagerada e, movidos pelo instinto carnal de DOMÍNIO, pela soberba e pela torpe ganância de posição e riquezas, acabavam por degenerar nos excessos da carne;
4- Gnosticismo (séculos I e II)
“Era formado por diferentes agrupamentos sincréticos, os quais resultavam da união de diversas ideias helenísticas e orientais, com ideias cristãs” (Llorca, 1960, Vol. I, p. 69): Da Filosofia grega tiraram o Mundo das Ideias Platónicas; do neopitagorismo e neoplatonismo provieram princípios ascéticos, ou seja: uma espécie de mística exagerada, ou panteísmo; outras ideias vieram das religiões orientais, como do Egipto, Pérsia e Caldeia; ideias cosmogónicas dos Persas e dos Hindus; finalmente vários princípios cristãos, sobretudo a ideia de Redenção (Llorca, Ibidem). Portanto, é um conjunto de doutrinas que pretende alcançar a redenção através de um conhecimento de Deus, do universo e da finalidade da vida humana. Tal conhecimento, contudo, passa eminentemente pela via da revelação mística e extática, antes de possuir carácter.
5- Monarquismo (ou Monarquianismo)? (Começado por volta do ano 170)
Embora admitisse a divindade de Cristo e a unidade da divindade, errava quanto ao modo de unir estes dogmas. Partia do fundamento da unicidade de Deus: Monarquiam tenemus. Como, por outro lado, admitia a divindade de Cristo e não concebia a unidade de Deus com a distinção de pessoas, afirmava que Cristo não era senão o mesmo que o Pai, mas sim com uma forma ou modalidade especial e diferente. Portanto o Pai, com modalidade de Filho, foi quem sofreu no Calvário: modalistas (de modalidade) (ou Modistas, de Modos. O Monarquismo por si mesmo não constitui um sistema teológico fechado, pois que se dividiu em duas correntes ou modelos diferentes e contraditórios, como:
· O Adopcionismo
que, por defender que Deus é superior a tudo e indivisível, o Filho não poderia, de maneira nenhuma, ser coeterno com o Pai. O máximo que poderia ter acontecido seria a sua adopção por parte de Deus-Pai para que, com ele, pudesse alcançar os seus planos relativos à salvação dos homens. Quanto ao momento desta adopção os próprios adopcionistas, entre os quais esteve Teodósio de Bizâncio, não concordam, pois segundo uns teria sido no momento do seu baptismo e segundo outros teria sido no momento da sua Ascensão aos céus. Esta heresia viria a ser renovada, em meados do séc. III, por Paulo de Samosata, segundo o qual “Cristo era um simples homem, em que habitava o Logos impessoal, virtude de Deus, duma maneira mais especial que nos Profetas. Cristo, portanto, sofreu segundo a sua natureza, mas por virtude desta força, operou milagres. Portanto, Jesus Cristo não foi senão um puro homem” (Llorca, Idem, p. 79).
· O Modalismo

Este pode confundir-se ou identificar-se com o Sabelianismo. Considera que Deus seja uma única pessoa, mas que se manifesta em três modos ou modalidades diferentes: como Pai, como Filho e como Espírito Santo. Esta vertente do Monarquismo, identifica-se ou toma o nome também de Sabelianismo por ter sido proposto, defendido e propagado, em Roma, por Sabélio, embora seja oriundo possivelmente da Líbia ou do Egipto. No ano 220 a sua doutrina foi condenada e ele excomungado pelo Papa Calixto, passando a ser alcunhados de Patripassionistas, visto que se não existissem a segunda e a terceira pessoas na Trindade, quem sofreu a Paixão e a morte na Cruz, teria sido o Pai, o que vai contra a doutrina da Trindade e da União Hipostática que é indissolúvel e que é a característica principal desta mesma Trindade, “Inseparabiliter, axoristo” como foi definida, de fé, e se encontra exarada no Símbolo do Concílio de Calcedónia, na Secção V, realizada a 22 de Outubro do ano 451: (Denz. 148 ou 302; cf. 283)[3].
6- Os Montanistas (séc. II - cerca do ano 172
Montano começa a pregar a sua heresia). Declarava-se possuído pelo Espírito Santo e, por isso, profetizava. Segundo as suas profecias iniciava-se, com a sua chegada, uma nova revelação, revelação esta que lhe era revelada a si próprio. A 1ª era cristã terminaria brevemente. Montano apresentava-se como se fosse o Espírito Paráclito. Pretendia provar tudo isto com os seus êxtases e inspiração imediata do céu e com o seu rigor de costumes, que afirmava estarem baseados na doutrina primitiva da Igreja. Ensinava, ainda, que a direcção das igrejas pertencia apenas ao Espírito Santo, pelo que se opunha à gerência dos bispos. As igrejas deveriam deixar-se guiar pela acção do Espírito Santo e não ser governadas pelos bispos. Essas igrejas, guiadas pelos bispos, separaram-se da verdadeira Igreja, a partir da data em que Igreja que vigorava na altura de Montano se aliou ao imperador romano, Constantino (século IV – 313 Edito de Milão). Embora existissem alguns seguidores nos século IV, atestado por Epifânio (Adversus Haereses 49,1,2-4) ao referir o episódio dos seus sequazes estarem reunidos numa igreja à espera da inauguração da nova fase da revelação divina, além da neotestamentária e ainda por Eusébio, Bispo de Cesareia, na sua obra Historia Ecclesiastica (V, 14-16), referindo-se a essa heresia como Heresia Frígia.
7- O Ebionismo (séc. II)
Esta heresia negava a divindade de Jesus Cristo e, embora aceitasse o Antigo Testamento, rejeitava o Novo, substituindo-o pelo “Evangelho dos Ebionitas”. O termo deriva do vocábulo hebraico do אביונים, Evyonim (ou Ebionim), "pobres". Esta heresia originou uma nova igreja no Cristianismo Primitivo, segundo a qual os cristãos e gentios, assim como os judeus deveriam seguir os mandamentos da Torah e não os ensinamentos de Jesus e de Paulo. Na verdade, os mandamentos daquela foram substituídos pelos mandamentos da Nova Aliança, segundo a doutrina de Cristo e de Paulo.
8- O Maniqueísmo
Doutrina do persa Mani ou Manes (séc. III), (prolongamento do Gnosticismo) que fundou um movimento baseado numa fusão do dualismo persa com algumas ideias budistas e uma boa parte de princípios Cristãos. Os princípios básicos da sua doutrina eram: Oposição eterna entre os dois princípios: a Luz e as Trevas; o Bem e o Mal, ou seja, entre Ormuzd e Ahariman. O primeiro é rodeado pelos elementos puros, luz, fogo, agia[4] e terra; o segundo (Ahariman) é rodeado por trevas, barro, vento, fogo e fumo. Tão sedutora s apresentava esta doutrina que o próprio Santo Agostinho, nos seus inícios, se deixou influenciar por ela, mas, depois, de bem estudada, terminaria por vir a combatê-la.
9- O Milenarismo ou Quiliasmo
Este nome vem de Xília etei – mil anos. Entre os primeiros Cristãos, o Milenarismo difundiu-se pela Ásia Menor, Egipto, a partir do século III. Consistia esta doutrina na esperança de que, no fim do mundo, Cristo, depois de vencer o Anticristo, aparecerá corporalmente e instaurará na terra um reinado de mil anos com todos os justos ressuscitados. Depois destes mil anos de triunfo, dar-se-á a ressurreição. Esta doutrina baseava-se no capítulo 20, versículo 1-10 do Livro do Apocalipse de São João, onde se diz que antes da ressurreição dos mortos haverá um reinado de Cristo com os seus eleitos durante mil anos: “Os outros mortos não tornarão à vida até se completarem os mil anos” (v. 5).
10- A caminho da cisão definitiva
· 1º- O amanhecer da cisão definitiva - o Arianismo
O amanhecer da separação entre ocidentais orientais, ocorreu em 325 (séc. IV). Ário, sacerdote líbio, radicado em Alexandria negava que Jesus tivesse a mesma natureza que Deus Pai. A sua pessoa, doutrina e seus seguidores foram condenados no Concílio de Niceia (o Primeiro Concílio Ecuménico), saindo dessa condenação o Arianismo, o Igreja Ariana que se propagou por várias regiões, chegando, inclusive, à Península Ibérica com os Visigodos.
· 2ª Cisão – o Macedonianismo
A 1ª Cisão: foi originada em 381 (séc. IV) pela doutrina de Macedónio I, Arcebispo e Patriarca de Constantinopla o qual defendia e ensinava que o Espírito Santo era apenas uma criatura de Deus, praticamente como os anjos. Foi condenado no Segundo Concílio Ecuménico realizado na mesma cidade de Constantinopla na cidade. Desta condenação surgiu uma nova Igreja chamada Macedoniana ou Macedonianismo a que correspondem os Macedonianos (Os seus adeptos ou seguidores), defendendo que nós não herdámos o pecado de Adão, mas nos tornamos pecadores pela solidariedade que, ao nascermos, formamos com ao comunidade pecadora e contra os quais combateu Santo Agostinho, propondo uma doutrina contrária.
Entre os anos 379-392, o imperador Teodósio I (379-395) procedeu a uma remodelação intensa no que respeita à implantação do Cristianismo, promovendo a sua doutrina “contra o Arianismo muito pujante, então, e contra outras heresias”. Em 381 publicou uma lei que dizia ser de sua vontade “que todos os súbditos abraçassem a fé Católica, pregada por S. Pedro e defendida pelo bispo Dâmaso em Roma”, vindo a terminar esta vontade com o Concílio de Constantinopla a que já nos referimos contra o Arianismo. Em 383 publicou nova lei pela qual se retirava “aos apóstatas cristãos o direito de fazer testamento e se lhes proibia toda a espécie de sacrifícios”. Em 386 mandou encerrar todos os templos pagãos e em 1m 392 o culto pagão é considerado crime de lesa-majestade pelo que todo o adorador será punido por isso (Llorca, 1960, Vol. I, pp. 121-122).
Em 402, começam as primeiras invasões dos Visigodos, Suevos, Vândalos e Alanos. Os Vândalos (de igreja Ariana), foram os primeiros a tentar invadir o Império Romano, sendo comandados por Alarico, mas foram vencidos em Verona, pelo general Estilicão que, embora vândalo de origem, se encontrava ao serviço do Imperador Honório. Mais tarde, Wália, sucessor de Alarico viria a instalar-se e a fundar o Reino Visigótico em Espanha, introduzindo, aqui, o Arianismo que viria a difundir-se por toda a Península Ibérica, “apesar de nela predominarem as igrejas ortodoxas” (Llorca, idem, p. 132).
· 3ª Cisão – o Nestorianismo
A 2ª Cisão teve lugar no ano 431 (séc. V), sendo a razão desta a doutrina de Nestório que negava que a Virgem Maria, mãe de Jesus pudesse ser chamada “Mãe de Deus (Θεοτόκος, Theotokos – Theos, “Deus” + tokos “portadora”. Ela só poderia ser “Mãe de Cristo” (Chistotokos) - Χριστός (Khristós) que significa "Ungido". Realizou-se o Terceiro Concílio Ecuménico realizado em Éfeso condenou essas doutrina e definiu que Maria era “Mãe de Deus”. Daqui surgiu um novo cisma e uma nova Igreja dissidente se estabeleceu, chamada Igreja Nestoriana. A fórmula utilizada no Concílio em forma de anátema foi a seguinte:

Si quis non confitetur, Deum esse secundum veritatem Emmanuel et propter hoc Dei genitricem sanctam Virginem (genuit enim carnaliter carnem factum qui est ex Deo Verebum), anathema sit, sendo a fórmula grega a seguinte: kaì dia touto theotókon tèn ‘agían parthénon… (cf. Dez., 1965, nº 252 =113, p. 93).
O Nestorianismo chegou à China, como se depreende de uma inscrição (parte em chinês, parte em siríaco) que foi erigida no ano 781 e na qual se relata o progresso do cristianismo nestoriano ali introduzido, segundo consta, pelo monge A-lo-pên, vindo de Ta-chin que provavelmente se deve referir à Síria já no século VI.

O Nestorianismo chegou à China, como se depreende de uma inscrição (parte em chinês, parte em siríaco) que foi erigida no ano 781 e relata a progressão do cristianismo nestoriano e que, segundo consta, foi introduzido pelo monge A-lo-pên, vindo de Ta-chin que, provavelmente, se deve referir à Síria, já no século VI[5].
· 4ª Cisão – o Monofisismo
A 3ª Cisão deu-se em 451 (séc. V). Neste ano reuniu-se, na cidade de Calcedónia, o quarto concílio ecuménico para condenar a doutrina de Eutiques, superior de um Convento próximo de Constantinopla que ensinava existir em Cristo apenas uma natureza, a divina, e que Jesus, portanto, não era uma pessoa humana e não possuía uma alma como os outros homens. Pelo facto de defender, em Jesus, um única natureza (Mono + physis) veio a chamar-se a essa heresia Monofisismo e aos seus seguidores Monofisitas, donde a Igreja Monofisita. Esta mesma heresia viria a ser novamente condenada no 5º Consílio Ecuménico, no ano de 553 (séc. VI).
No período que vai do ano 622 (ano em que Maomé saiu de Meca (Hégira) até ao ano 711, ano em que o Muçulmanos entraram na Península Ibérica (comandados por Alkaman) esta nova religião passou a ser a maior concorrente e inimiga do Cristianismo, tanto no Ocidente, como no Oriente. Porém, os exércitos maometanos, sofreram a primeira derrota em 718 que lhes foi infligida pelas tropas cristãs, em Covalonga, sob o comando de Pelaio. De seguida dirigiram-se às Gálias, sendo, de novo, derrotados em Poitiers, por Carlos Martel, em 732. Daí em diante, o Cristianismo teve sempre de se preocupar com o seu avanço, pois vieram rapidamente a conquistar a Arábia, várias províncias do império bizantino, assim como os patriarcados de Jerusalém, de Antioquia e de Alexandria, e, bem assim todo o norte de África (Llorca 1960, Vol. I, pp. 143-144).
· 5ª Cisão – o Monotelismo
A 4ª Cisão foi levada a cabo pelo Monotelismo. Esta heresia foi condenada no 6º Concílio Ecuménico que se realizou anos de 680-681 em Constantinopla. Monotelismo ("monos" = uma, "thelema" = vontade uma só vontade) foi ensinado e defendido pelo Patriarca Sérgio de Constantinopla e acolitado pelo Imperador do Oriente, Heráclio. Desta condenação surgiu a Igreja Monotelita.

· 6ª Cisão – os Iconoclastas
A 5ª Cisão ocorreu em 787 (séc. VIII) devido à heresia dos “Iconoclastas” (ou “destruidores das imagens”), que, entre os anos 754-843 proibiam o culto das imagens (Ícones), martirizaram quem não acatasse tal proibição e, por conseguinte, defendiam e praticavam a destruição das imagens sacras. Veio a ser reintroduzido após a condenação dessa heresia no 7º concílio ecuménico, realizado em Niceia no ano de 787, no qual se legitimou o uso e veneração das imagens dos Santos. Esta decisão conciliar ficou sendo conhecida nas Igrejas Ortodoxas como o “Dia da Ortodoxia” ou “Dia da Vitória”. Surgiu, no entanto, uma nova igreja, chamada “Igreja Iconoclasta”.

· 7ª Cisão – o Grande Cisma Cristão
A 7ª ou derradeira cisão ficou a ser conhecida pelo nome de "Grande Cisma Cristão”. Teve lugar em 1054 (séc. XI) e teve origem em diversos factores: culturais, políticos, doutrinários, eclesiásticos.
Não houve propriamente um Concílio Ecuménico, mas, pelo contrário, um malfadado encontro entre representantes do Papa Romano, Leão IX e o Patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário e seus acompanhantes.
Efectivamente, em 1054, o Papa Leão IX[6] fez-se representar pelo seu Legado, o Cardeal Humberto de Moyenmoutier. Este de espírito intempestivo, dia 16 de Julho de 1054, colocou em cima do altar da Hagia Sofia uma Bula com a qual excomungava o Patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, por este não se sujeitar à vontade do Papa Romano.
Do lado do Ocidente estavam os interesses dos imperadores Carolíngios que coincidiam com as pretensões teocráticas do papado romano (Cesaro-papismo); do outro lado estavam em jogo o brio do Oriente, a pátria dos grandes “Padres do Deserto” ou dos primeiros monges do Cristianismo; dos primeiros 7 primeiros e grandes Concílios ecuménicos (Niceia, em 325; Constantinopla, em 381; Éfeso, em 431; Calcedónia, em 451; Constantinopla II, em 553; III Constantinopla, em 680 e o II de Niceia, em 787) nos quais se solidificou a doutrina da Igreja Universal.
A igreja de Roma não contente com a possessão das tumbas de Pedro e Paulo, reclama a obediência de Constantinopla. Duas concepções de Igreja se defrontavam: em Roma a concepção piramidal, enquanto em Constantinopla vigorava a concepção colegial do poder episcopal. Duas concepções que vigorarão até ao século XX: o sistema católico romano e o sistema Ortodoxo do Oriente.
Curiosamente, nesta e noutras questões Roma estava em pé de desigualdade e de inferioridade, uma vez que as questões eram debatidas entre os principais do Oriente, enquanto Roma era apenas representado por Legados Pontifícios.
Assim em 1054, Leão IX fez-se representar pelo seu Legado, o Cardeal Humberto de Moyenmoutier. Este de espírito intempestivo, dia 16 de Julho de 1054, colocou em cima do altar da Hagia Sofia uma Bula com a qual excomungava o Patriarca de Constantinopla, Miguel Cerulário, por este não se sujeitar à vontade do papa. Miguel Cerulário, por sua vez, convocou rapidamente um concílio constituído por vinte bispos e responderam com excomunhão semelhante atingindo com esta o papa de Roma. Assim se consumou o cisma entre Oriente e Ocidente, cisma que perdura ainda hoje, embora se tenham mostrado atitudes mais compreensivas ultimamente (Tincq, 2010, p. 102-103).
A partir daí, a Igreja de Constantinopla ficou a chamar-se “Igreja Ortodoxa”, nome que lhe adveio do grego "orthos" = recto, correcto e "doxa" = louvor, significando com ele “Igreja que presta a Deus o correcto louvor”. Por seu lado, a Igreja de Roma ficou com o nome de “Igreja Católica” do grego καθολικός (katholikos), no sentido de "universal" ou "geral"), dependendo da única autoridade do Papa Romano.
5- Divisões na Igreja Romana
A Igreja Romana viria a sofrer nova divisão no século XVI, com os Reformadores que constituiriam, pelo menos as seguintes Igrejas: Luterana, Calvinista, Wicclefista, Anglicana que, por sua vez se iriam subdividir em muitas outras, por exemplo:



1519 e + : Igreja Luterana (1ª) (Alemanha), seguida da Igreja Calvinista (Suiça) separam-se da Igreja Católica[7].
1534: Igreja da Inglaterra (2ª) separa-se da Igreja Católica;
1581: Igreja Congregacional separa-se da Igreja da Inglaterra (a)
1559 A Igreja Presbiteriana (3ª) separa-se da Igreja Católica;
1608 Igreja Baptista separa-se da Igreja Congregacional (i)
1650 a Sociedade dos Amigos separa-se da Igreja Congregacional (ii);
1784: A Igreja Metodista separa-se da Igreja da Inglaterra (b);
1820: A Igreja Exclusiva dos Irmãos e a Igreja dos Irmãos separam-se da Igreja da Inglaterra (c)
1865: A Salvation Army separa-se da Igreja Metodista;
1900: A Igreja Pentecostal e a Igreja Carismática Independente separam-se da Igreja Metodista;
1972 A U.R.C. (United Reformed Church) nasce das Igrejas Presbiteriana e Congregacional
Por outras palavras:
1- Da Igreja Católica separaram-se:
A Igreja Luterana[8], em 1519;
A Igreja Calvinista, depois de 1519;
A Igreja da Inglaterra, em 1534;
A Igreja Presbietriana, em 1559;
2- Da Igreja da Inglaterra separaram-se:
A Igreja Congregacional, em 1581;
A Igreja Metodista, em, em 1784;
A Igreja Exclusiva dos Irmãos e a Igreja dos Irmãos, em 1820;
3- Da Igreja Congregacional separaram-se:
A Igreja Baptista, em 1608;
A Igreja da Sociedade dos Amigos, em 1650;
4- Da Igreja Metodista separaram-se:
A Igreja “Salvation Army”, em 1865;
A Igreja Pentecostal e a Igreja Carismática Independente, em 1900;
5- Das Igrejas Presbiteriana e Congregacional nasce a U.R.C, em 1972.
NOTAS
[1] O vocábulo Ecuménico procede da palavra grega "οἰκουμένη", que se aplicou primeiramente ao Império Romano e, em seguida, a todo o mundo habitado. No Mundo Cristão e por analogia foi aplicado às Reuniões dos Bispos pertencentes às Igrejas do Império do Oriente e do Império do Ocidente cuja finalidade era a de dirimir questões cristológicas, ou seja, para averiguar e condenar certas heresias que discordavam da doutrina, dita “ortodoxa” (correcta) da Igreja Universal de Cristo, denominada Cristianismo. Até ao século XI, altura da separação definitiva das Igrejas de Constantinopla e de Roma realizaram-se sete Concílios Ecuménicos.
[2] Esta Helena foi aquela bela mulher de Menelau, irmão de Agameon, filhos de Atreu, rei de Micenas que, depois de casada e ter uma filha, chamada Hermíone, os abandonou para fugir com Páris para Tróia. Foi devido a este episódio que os gregos Menelau, Agameon, Aquiles e outros se juntaram e declararam guerra aos habitantes de Tróia.
[3] Batmann, 1962, p.65.
[4] Agia (Αγία), palavra grega que significa “santo” (a forma feminina), por exemplo, Agia Varvara que é a versão cirílica do grego Варвара (Βαρβάρα).
[5] José Coelho Matias, 2010). Capítulo 23: “Cristianismo na China”. In História das Religiões. (Apontamentos para os Ouvintes da Universidade Sénior, Pólo de Sacavém).
[6] Nasceu a 21 de Junho de 1002 em Eguisheim (Alsácia); foi designado sucessor de Dâmaso II pelo imperador Henrique III ( o que revela a ingerência política na eleição do papa). Foi, depois eleito, em Dezembro de 1048, e, finalmente, aclamado unanimemente em Roma e consagrado em Fevereiro de 1049 e veio a falecer a 19 de Abril de 1054, igualmente em Roma. Foi o 153º papa da Igreja Católica. Tornou-se um grande reformador da Igreja, abolindo: a taxa eclesiástica (a Simonia)); o casamento bem como a concubinagem dos padres (o Nicolaísmo); os cargos principescos e políticos dos bispos no âmbito do Império, exigindo que eles fossem apenas simples teólogos; e pugnou pelo retorno dos valores do cristianismo primitivo.



[7] O percursor desta separação foi inglês John Wiclef (1330-1384), cuja doutrina herética negava a transubstanciação e afirmava ser a Bíblia a única e verdadeira fonte da fé, a qual cada um podia estudar por si mesmo. F. Wiclef, n. pr.
[8 A Religião oficial da Noruega chama-se “Igreja Luterana Evangelista da Noruega”, à qual pertencem, pelo menos nominalmente, 83% dos noruegueses.
11- Bibliografia
Bartmann, Bernardo (1962). Teologia Dogmática, A Redenção – A Graça – A Igreja. Vol II. São Paulo: Edições Paulinas. Título original: Leherbuch der Dogmatik. Verlag Herder Und Co. Freiburg Im Br. – Deutsc. Achte Auflage, 1932;




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Denz.= Denzinger Heinrich Joseph Dominicus. Enchiridion Symbolorum et Definitionum et Declarationum de Rebus Fidei et Morum. (Manual de credos e definições), cuja primeira edição teve lugar em Würzburg, 1854). Mais tarde a sua edição teve melhoramentos que foram introduzidos pelo jesuíta Adolf Schönmetzer, facto que a dita obra passou a ser conhecida pela sigla "DS" (para "Denzinger-Schönmetzer"). A edição que utilizamos é a XXXIV de 1967, Barcelona: Editora Herder (p. 93);



Dodd, Charles Harold (1971). The Founder of Christianity. London: Collins St James’s Palace.
Eliade, Mircea (2004). Tratado de História das Religiões. Porto: Edições ASA.
Ling, Trevor (2005). (2ªed.). História das Religiões. Lisboa: Editorial Presença.
Llorca, Bernardino (1960). Manual de História Eclesiástica (Vols. I e II). Porto: Edições ASA.