quinta-feira, 19 de abril de 2012

Cap. 9: O Jainismo

Conteúdo
1- Nome e fundador
2- Antiguidade do Jainismo
3- Traços distintivos do Jainismo
4- Defesa e ensinamento do Pan-animismo
1º- Epistemologia
2º- Libertação (Moksha)
3º- Metafísica
4º- Organização da Comunidade
5º- Código de conduta
5- Vegetarianismo
6- Vestimenta segundo as duas principais Seitas Jainistas
7- Diferenças entre Jainismo e Bramanismo
8- Diferenças entre Jainismo e Budismo
9- Textos e Autores e do Jainismo
10- Santos no Jainismo
11- Divindades Jainistas
12- Hinduísmo Védico e Hinduísmo Bramânico
Bibliografia
.

O nome “Jainismo” significa “Seguidores dos Jinas” ou seja, dos “vencedores”, apelido que era atribuído aos Directores Espirituais da antiguidade. Assim eram chamados por “se conquistarem a si mesmos para alcançarem a libertação”.
Embora essas seitas primitivas tenham desaparecido, o Jainismo conseguiu sobreviver, chegando até aos nossos dias, graças a muitas Suttas budistas que conservaram alguns dos seus ensinamentos.
É certo que muitos dos seus seguidores reclamam e sustentam a antiguidade da sua religião, tendo-a como muito mais antiga e anterior mesmo ao século VI a.C., atribuindo a sua fundação a Nataputa Vardhamana, conhecido como Mahavira (o Grande Herói) (falecido em 772 a. C)[1]. No entanto, aceitam que o organização deta religião tenha sido levada a cabo, dois séculos depois, pelo mestre Parsvanatha, (Parsáva) a quem foi atribuído o título honorífico de “vencedor” (jaina ou jina, donde jainismo), título este que foi dado igualmente a Mahavira (falecido, por volta do ano 526 a. C.).
É também tradicional atribuir aos primitivos e principais mestres do Jainismo o nome de Tirthankaras que chegaram a formar o número de 24, sendo Rishbha o primeiro mestre. Estes 24 Tirthankaras foram os primeiros seres humanos que conseguiram alcançar o desapego total às coisas terrenas e a mostrar o caminho do desapego a todos os outros humanos.
A estes Tirthankaras seguiram-se os Jinas, ou “ Conquistadores”, assim chamados por se terem vencido a si próprios e se terem dedicado à ascese, apesar de terem todos nascido em famílias principescas. Conquistando-se a si, alcançaram a iluminação, ou libertação espiritual (mokta). Esta libertação fez com que a sua Mónada espiritual (Jiva[2]) abandonasse o seu corpo e subisse até ao Nirvana, para nunca mais tornar a reencarnar, nem a reciclar-se[3]. 


Ling (2005, p. 102) refere-se ao Jainismo como sendo uma religião ou seita que, à semelhança do Budismo, surgiu de uma necessidade sentida precisamente no século em que muitos mestres religiosos se quiseram apresentar como aqueles que poderiam apresentar aos homens uma alternativa ao Hinduísmo, ou seja: “a versão mais satisfatória da verdade sobre a condição humana e a forma mais eficaz de libertação dos problemas humanos[4].

Localização do Jainismo

O Jainismo, hoje, encontra-se muito activo em Bengala (Índia Oriental), em Rayastán, Majarastra e Guyart (Centro ocidental da Índia) e em Karnataka (Índia Meridional), rondando o número dos seus crentes os 0,4% da população indiana[5], isto é, 3.650.000, segundo dados de 1990.

É uma religião, de si não teísta (nastika)[6] e não reconhece a autoridade dos textos Veda nem dos Bramas. Se é certo que Mahavira não tenha admitido a existência de qualquer Deus ou a adoração de deuses, ele foi deificado pelos seus seguidores, tendo-lhe sido atribuído o nome de 24º Tirthankara, o último e o maior dos seres salvadores e considerado como um ser que desceu do céu, sem pecado e dotado de todo o conhecimento[7].
Crêem que o mundo é eterno e sem princípio;
Não existe uma divindade pessoal nem criadora;
O Jainismo é, por conseguinte, uma religião ateísta[8] ou transteísta, segundo H. Zimmer, pois que, no sentir deste autor:
En las fases populares del culto doméstico jaina se implora a los dioses hindúes usuales para que concedan pequeños favores (prosperidad, larga vida, descendencia masculina, etcétera), pero los objetos supremos de la contemplación jaina, los Tirthánkara, han pasado más allá de los divinos regentes del orden natural[9].
Todas as divindades possíveis – as almas das pessoas perfeitas Uarjat (divindades humanas), por exemplo, não são emanações, nem manifestações de nenhuma divindade apofática[10], nem de nenhuma Unidade (o Todo Absoluto) conceitos e realidades que também são negadas nesta religião;


Tudo o que existe possui vida. O universo é um todo; todos os seres possuem uma alma mais ou menos complexa, diáfana ou pesada;
A maior falta moral consiste em danificar um ser vivo, a terra ou a alma da água e do ar; é contrário à violência;
Defende o jejum e a mortificação do próprio corpo, práticas que servem para purificar a alma e descarregá-la da matéria kármica e para evitar futuras reencarnações (a forma física)
Todas os seres possuem uma alma, apesar da diferença da sua forma física; Mas apenas os humanos possuem os seis sentidos: Vista, Ouvido, Gosto, Olfacto, Tacto, Pensamento.


Sob o ponto de vista filosófico, isto é, no que toca à crença e ao conhecimento, o Jainismo é relativista, pois ele defende que o conhecimento do mundo só pode ser aproximado ou relativo e que a sua própria religião tem um tempo relativo, pois desaparecerá num tempo indeterminado[11].


Ensina também que a libertação (moksha) depende do esforço de cada um e não dos deuses.


Vindo do grego antigo (μετα [metà] = depois de, além de; e Φυσις [physis]
= natureza ou física), a Metafísica trata de problemas centrais da filosofia teórica, procurando descrever os fundamentos, as condições, as leis, a estrutura básica, as causas ou primeiros princípios, bem como o sentido e a finalidade da realidade como um todo, isto é, dos seres em geral.
Sob o ponto de vista da Metafísica, o Jainismo:
Protesta também contra o regime de castas e os privilégios dos brâmanes;
Aceita deuses (politeísta), espíritos ou demónios, sendo, por isso dualista;
Afirma que o Universo se encontra dividido em duas categorias últimas e eternas:
a)- Seres vivos ou almas (jiva)[12], constituídas de alma e matéria que são reunidas pelo Karma (acção) e divididas em oito classes que se subdividem em inúmeras subclasses;
b)- Coisas inanimadas ou materiais (ajiva) que se distinguem em 4 categorias, a saber: matéria, movimento, repouso e tempo.  
O contexto do Gita que foi escrito entre os anos 200 a.C. e d.C. relata o diálogo entre Krishna e Pandava, príncipe Arjuna que teve lugar antes do início da guerra Kurukshetra travada entre os exércitos inimigos de ambas as partes[13].


Nesta religião há duas classes de pessoas ou crentes:
Os Monges que se encontram dependentes de Regras de ascese e de um Superior e que vivem num determinado Mosteiro (yina-Jaina); Cada monge (ou asceta Yaina ou Yina), chamado yina-rishí é obrigado a 4 votos: Não-violência, sinceridade, rectidão e renúncia às coisas e às pessoas;
Os Seculares que se dedicam aos assuntos seculares.
Todos os seus crentes (Monges ou seculares) são obrigados a observar o Código de Conduta[15]: os Monges devem respeitar cinco votos muito estritos, enquanto os Leigos deverão observar 5 pequenos votos que são uma variante amenizada dos cinco grandes votos dos Monges. Além disso, os Leigos terão de observar 3 votos meritórios e quatro votos instrutivos num total de doze votos (menos rigorosos).
a)- Os 5 grandes votos (mahā-vrata) reservados aos Monges:
(Áhimsa) – Não causar dano a nenhuma forma de vida (Paz - Pacíficos);
(Satiá) – Não mentir evitando a ira, o medo, a avareza e o regozijo nas palavras (Veracidade);
(Asteia) – Não roubar nem açambarcar (monopolizar) espaço nem comida (Frugalidade);
(Brahmacharia) – Não ter relações sexuais nem realizar actividades que possam conduzir ou aumentar o desejo sexual (Celibato[16] e Castidade[17]);
(Aparigraja) – Renunciar completamente às possessões pessoais (Pobreza individual).
b)- Os 5 pequenos votos (au-vrata)) dos Leigos:
Não danificar intencionalmente ou gratuitamente nenhuma forma de vida = Não-violência – (Áhimsa).
Não mentir excepto nos casos em que quando dizer a verdade provoque prejuízo a alguém (Satiá);
Não roubar (Asteia);
Fidelidade conjugal ou castidade (Brahmacharia)
Limitar as possessões pessoais = desapego do material (Aparigraja).
NB. Estes cinco votos são uma variante atenuada dos cinco votos dos Monges.
c)- Os 3 votos meritórios dos Leigos (gua-vrata):
Restringir as viagens e as deslocações desnecessárias;
Limitar a ingestão de comida e bebida e o usufruto de objectos sumptuosos;
Não cometer actos repreensíveis intencional e desnecessariamente.
d)- Os 4 votos instrutivos  dos Leigos (śikāvrata):
Praticar meditação e renúncia por um breve período; 
Jejuar em certos dias estipulados no calendário;
Restringir a actividade em certos lugares e em certas horas do dia;
Fazer doações aos monges e praticar actos caritativos.
O “Áhimsha”, palavra que se encontra escrita no centro do círculo colocado na palma da mão de Jainista marca o voto da pessoa que o traz. A roda simboliza o Dharmacakra que se enfrenta com o ciclo da reencarnação através da procura da paz e da não-violência[18].


Devido ao conceito que têm sobre a vida que se encontra em todos os seres e à compaixão para com a vida (Yivá-daia), à ájimsa (não-violência), os Jainistas ou Jainas são vegetarianos no sentido estrito.
Alimentam-se normalmente de nozes, frutas e vegetais ao que eles chamam de “primeira vida sensível”.
A prática do Vejetarianismo é considerada como necessária para enfrentar a não-violência e para uma vida pacífica e cooperante dentro da sociedade.
Há certas proibições, tais como[19]:
Não podem ser agricultores, para não prejudicar animais, vegetais ou ferir a terra com o arado;
Não podem ser marceneiros, ferreiros ou escultores, porque a madeira, o metal e as pedras sofrem dores atrozes quando trabalhadas, etc.  Daí o deverem dedicar-se ao comércio.

6- Vestimenta segundo as duas principais Seitas Jainistas (25-04-2012)


Vestimenta utilizada em alguns ritos no estudo da literatura sagrada pelos ascetas jainistas varia segundo as duas seitas em que se dividiu essa religião, no século III a.C.
Assim, a Seita dos Digambara (“Vestidos de Espaço”) continuou com a velha prática de os seus monges andarem nus, tendo o ar por sua vestimenta, enquanto a Seita dos Śvetambara permite aos seus ascetas “vestes brancas” simples[20].

7- Diferenças entre Jainismo e Bramanismo


Uma vez que o Jainismo tem como princípio a “não-violência” é contrário aos maus-tratos de todo e qualquer ser vivo e, portanto, é contrário aos sacrifícios cruentos dos animais, distancia-se desta forma, do Bramanismo, que pratica os sacrifícios de animais.
Por outro lado e ainda devido a esse princípio da “não-violência”, o Jainismo, distancia-se do Bramanismo no que respeita à doutrina do Karma. Trevor Ling (2005, p. 103) explica-nos como este princípio jainista levou a uma doutrina, para nós exagerada:
 “A fuga da alma do corpo para o reino onde a alma residiria eternamente feliz constituía o objectivo do sistema jainista. Na visão jainista, o Karma era a substância que aderia à alma como resultado de qualquer actividade, especialmente cruel e violenta, sendo a aparência do Karma o que enevoava a alma e lhe dava um corpo material sólido, uma espécie de incrustação. Esta podia ser gradualmente quebrada e dissolvida por meio da disciplina ascética e meditação e ainda evitando a actividade nociva. Por esta razão, os jainistas eram e continuam a ser os mais rígidos vegetarianos; considera-se que comer vegetais em vez de animais reduz o grau de actividade nociva que se pratica…. Não têm podido realizar trabalhos agrícolas, receando fazer violência com o arado sobre as pequenas criaturas da terra … tornando-se, por isso comerciantes (…)”.

8- Diferenças entre Jainismo e Budismo


Esse rigor extremista do jainismo, no que toca à disciplina ascética pode também ser comparado com a religião Budista, chegando à conclusão de que a ascese jainista é muito mais rigorosa.
Os jainistas, além do Jejum e da nudez, tinham e têm também a “auto-mortificação, a martirização deliberada do corpo por longa exposição ao sol e ao frio”[21].
Por outro lado existe uma grande diferença entre Jainistas e Budistas no que respeita a doutrina do universo. Enquanto os Budistas rejeitam a ideia de uma entidade individual permanente conhecida como alma, os Jainistas aceitam e ensinam a existência de um universo povoado de “uma infinidade de almas individuais distintas, tendo cada uma delas que alcançar a salvação individual”.
Ling (2005, p. 104) explica esta diferença desta forma:
“A visão budista … consistia na rejeição da ideia de uma entidade individual permanente conhecida como alma. Além disso, a visão jainista do Karma era do tipo materialista: Karma era um filtro ou nuvem depositada na alma que se tornava a prisão corpórea desta. (…) Porém, para o budista, o Karma é o sistema de relações morais causais pelo qual, por assim dizer, os actos de uma vida continuam a ecoar ao longo dos tempos através de inúmeras outras vidas (se são vidas do mesmo “indivíduo”, ou não, trata-se de uma questão sem sentido, do ponto de vista budista original), até que o eco morra ou seja silenciado por um Karma contrário”.
9- Textos e Autores e do Jainismo
·                  Yina-shataka, un escrito de Yambu Kavi.
·                  Yina-shata-panyiká, de Shamba Sadhu.
·                  Yina-stuti
·                  Yina-iagña-kalpa, de Asha Dhara.

10- Santos no Jainismo
À semelhança do catolicismo e Igrejas ortodoxas cristãs, o Jainismo possui também muitos santos que são objecto de culto nos seus templos, nos quais se encontram estátuas de animais como, por exemplo de elefantes como acontece no Templo de Ranakpur (Rayastán, Índia).


O Jainismo, contrariamente ao Bramanismo e Hinduísmo não aceita divindade suprema alguma. Além disso nega não apenas os Vedas, mas também todo o culto que é praticado aos deuses tutelares nas localidades tradicionais.
.O seu ideal de perfeição jainista consiste apenas em imitar os 24 Tierhankaras, quanto ao desapego total dos bens materiais e terrenos.
Os templos que possuem servem para comemorar as perfeições das almas, sendo o Templo Jainista de Ranakpur Adinath (Rayastán, India).

12- Hinduísmo Védico e Hinduísmo Bramânico

Uma vez que o Jainismo apareceu como uma reacção ao Bramanismo, e uma vez que o Bramanismo se encontra ligado, de certa forma ao Hinduísmo, sem que com este  se identifique, seria útil  fazermos uma pequena explicação da diferença que existe entre ambos.
A primeira fase do Hinduísmo é aquela em que se prestava o culto aos deuses tribais, chamados também Avatares (manifestações corporais da divindade superior), sendo Dyaus, ou Dyaus-Pitar ("Deus do Céu", em sânscrito), o Deus supremo, esposa da deusa Mãe-Terra. Desse deus procedia a chuva, a fertilidade e todos os outros deuses. Passou a chamar-se Hinduísmo Védico.
Os deuses superiores eram o Sol (Surya), a Lua (Chandra) e a Aurora (Heos) que eram considerados os deuses da Luz. Abaixo destes deuses superiores estavam os deuses inferiores e locais que eram as árvores, pedras, rios, fogo.
Influenciados pelos Arianos, os Hindus transformaram Dyeus em Indra (divindade jovem, regente da guerra, da fertilidade e do firmamento). Em contraposição a este Indra benevolente, criaram o deus Rudra, caracterizado pela rudeza atribuindo-lhe o poder das tempestades e ainda outras divindades maléficas, como Asura.
A segunda fase do Hinduísmo foi aquela, cujo início coincidiu com o fim dos Vedas, tendo recebido, por isso o nome de Hinduísmo Vedanta ou Hinduísmo Bramânico. Nesta fase deu-se a ascensão de Brama ou Brahama, divindade que simboliza a alma universal.
No Hinduísmo Bramânico, Brahma assimila, em si, o Trimurti (Trindade[22]) que reúne, em si as três funções cósmicas: a criação na pessoa de Brama, (o Criador), a conservação na pessoa de Vishnu (o preservador ou mantedor) e a destruiçºao ou transformação na pessoa de Shiva (o destruidor ou transformador). 


[1] Relativamente às datas do nascimento e da morte de Vardhamana, também conhecido por Mahavira (o Grande Homem) não há consenso, pois que há quem pense ter vivido entre os anos 599-527 a.C. Conta a lenda que viveu cem anos, tendo deixado a sua casa aos 30 anos de idade para se fazer asceta. Dado crédito a esta tradição, ele teria nascido por volta do ano 872 a.  C., deixando a sua casa ou palácio por volta do ano 842. [On line] [Consult 12-01-2012] Disponível em: http://www.enbuenasmanos.com/articulos/muestra.asp?art=704. Cf. também ou também em: http://www.orion.med.br/portal/index.php?option=com content&view=article&id=34:jainismo&catid =28 :orion 1 &Itemid=28.
[2] Jiva significa especificamente a essência imortal do ser animado (humano, animal, peixe, planta, etc.), ou seja aquilo que sobrevive depois da morte física. Bhagavad Gita (700 versos das Escrituras Hindus que fazem parte da Épica Sânscrita chamada Mahabharata) descreve o Jiva como imutável, eterno, inumerável e indestrutível. Para este assunto cf. http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/Antes_de_Cristo_Bloco6.html e ainda João Flavio Martinez http://www.cacp.org.br/orientaisBR&article=357&cont=0&menu=9&submenu=1.
[3] [On line] [Consult 12-01-2012] Disponível em: http://www.tradicionperenne.com/JAINISMO/MARCOSJAINISMO.htm.
[4] Confere também: Carlos Leite http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/Antes_de_Cristo_Bloco6.html
[5] On line] [Consult 12-01-2012] Disponível em: http://es.wikipedia.org/wiki/Jainismo.
[6] h On line] [Consult 12-01-2012] Disponível em: ttp://pt.rajasthanvoyage.com/religiao/jainismo.html. e também em: http://www.comunidadeespirita.com.br/religioes/11%20jainismo.htm. E no blog de  Carlos Alberto Ribeiro: http://www.caestamosnos.org/Pesquisas_Carlos_Leite_Ribeiro/Antes_de_Cristo_Bloco6.html.
[7] [On line] [Consult 12-01-2011] Disponível em: http://padom.com.br/jainismo/.
[8] Segundo A. Pániker,  [On line] [Consult 12-01-2011] Disponível em: http://www.tradicionperenne.com/ JAINISMO/MARCOSJAINISMO.htm.
[9] Ibidem.
[10] “Apofática” provém do adjectivo apofatikós (apofatiko), com o significado de "negativo". Provém do verbo grego apófemi (apo + fhmi) que significa "negar", "dizer não". A sua raiz é o verbo fhmi, que significa "dizer", "falar".
Paralelamente encontra-se o adjectivo katafatikós (katafatiko,j (h, (o,n) com o seu correspondente advérbio   (katafatikw/j) com o significado de "afirmativo". A sua origem é o verbo katáfemi (kata + fhmi) que significa "afirmar", "dizer sim", sendo a sua raiz o mesmo verbo (fhmi,).Cf. http://usuaris.tinet.cat/fqi_ct04/apofatico.htm.
Desta forma temos também uma Teologia apofática (caracterizada pelo niilismo) ou acofática (caracterizada pelo misticismo).
[11] Eis alguns axiomas do fundador do Jainismo: “Como a sagrada folha da árvore cai ao chão, assim, quando o tempo se extinguir, a vida chega ao fim. Como uma gota de orvalho presa ao topo de uma folha dura pouco tempo, assim também é a vida dos homens. Atravessaste o grande oceano, porque paras tão perto da parvis (entrada, margem)? Apressa-te a alcançar o outro lado. Cuida-te, não percas a ocasião!”. Vardhamana Mahavira (599-527 a.C.: [On line] [Consult 01-1º-2011] Disponível em: http://www.orion.med.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=34:jainismo&catid=28:orion1&Itemid=28.
Epistemologia: (do grego πιστήμη [episteme] – ciência, conhecimento; λόγος [logos] - estudo de) é uma parte da filosofia que estuda os problemas relacionados com o conhecimento e a crença dos seres humanos. . 
[13] Ibidem
[16] Do latim Caelibatus = “não casado”. O termo, em si, não implica a obrigação de manter a castidade, portanto, ter relações sexuais. Daí o nome de celibatário(a) aplicado a qualquer homem ou mulher não casado(a).
[17] O Catecismo da Igreja Católica refere-se à Castidade desta maneira:
“C.15.6 Castidade e estado de vida –
§2348 Todo baptizado é chamado à castidade. O cristão "se vestiu de Cristo", modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Baptismo, o cristão se comprometeu a viver sua afectividade na castidade.
§2349 "A castidade há de distinguir as pessoas de acordo com seus diferentes estados de vida: umas na virgindade ou no celibato consagrado, maneira eminente de se dedicar mais facilmente a Deus com um coração indiviso; outras, da maneira como a lei moral determina, conforme forem casados ou celibatários." As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência: Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica”. [On-line] [Concult17-04-2012] Disponível: http://catecismo-az.tripod.com/conteudo/a-z/c/castidade.html.
[18] [On line] [Consult 01-10-2011] Disponível em: http://www.tradicionperenne.com/JAINISMO/MARCOSJAINISMO.htm.
[20] Ling, 2005, p. 103-104
[21] Ibidem
[22] [On-line] [Cônsul. 23-04-2012] Disponível em: http://www.casadobruxo.com.br/religa/hinduismo.htm



BibliografiaBento Silva Santos (2004). “Teologia Negativa ou Apofática”. Excerto da Introdução da optima tradução do livro de Dionisio Areopagita, Dos nomes divinos, realizada por, Attar Editorial. Civilizaciones?” (Consultado na Internet em 10-01-2012: http://www.sophia.bem-vindo.net/tiki-index.php? page=Teologia+Negativa).
Corbin, Henri: “De la Teología Apofática como Antídoto contra el Nihilismo”.Conferencia presentada en Teherán el 20 de octubre de 1977 en el marco de un coloquio organizado por el Centro Iraní para el Estudio de las Civilizaciones sobre el tema: “¿El impacto del pensamiento occidental hace posible un diálogo real entre? (Consult na Internet 10-01-2012:
http://homepage.mac.com/eeskenazi/apofatica.html).
Díez de Velasco, Francisco (1995/2002 (tercera edición revisada y aumentada). Introducción a la historia de las religiones. Madrid: Trotta.
Easwaran, Eknath (2007).The Bhagavad Gita. Nilgiri Press.
Flood, Gavin (1998/2003). El hinduismo. Madrid: Akal Cambridge.
Keay, John (2000). India: A History. Grove Press
Ling, Treevor (2005). História das Religiões. Lisboa: Editorial Presença (p. 102-103);
Pániker, Agustín (2001). El jainismo: historia, sociedad, filosofía y práctica. Barcelona: Kairós.
Sargeant, Winthrop (2009). (Vê
The Bhagavad Gītā: Twenty-fifth Anniversary Edition, Albany: State University of New York Press.
Singh, R. Raj (2006). Bhakti and Philosophy. Lexington Books.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Capítulo 7 Os Druidas e o seu renascimento

Conteúdos
Preâmbulo
1- Druidismo na Antiguidade
1.1- Origem do termo “Druida”
1.2- Habitat e Vida Social dos Druidas
1.3- A Realeza
1.4- Conquistas de Cláudio
1.5- Vestes brancas dos Druidas
1.6- Simbolismo das cores
1.7- Festas principais
1.8- O Rei Artur e Merlin
1.9- Canibalismo e Sacrifícios humanos entre os Druidas
1.10- Ideia druida sobre a morte
2- Druidismo moderno
2.1- Alvores do druidismo moderno
2.2- Verdadeiro ressurgimento do Druidismo moderno
2.3- Base do Druidismo moderno
2.4- Druidismo actual na Inglaterra
2.5- Druidismo nos Estados Unidos da América
2.6- Druidismo em Portugal
Bibliografia


Preâmbulo
Através da história, sobretudo, Romanos, Celta e Bretã, tínhamos algumas noções sobre a existência dos Druidas.
As fontes principais pertenciam aos escritores romanos, Júlio César com a sua De Bello Gallico onde descreve a sua vitória sobre os Bretões no ano 52 a.C.) e a Plínio, o Velho com a sua obra Naturalis Historia[1] composta por 37 livros escritos cerca do ano 77 d.C. onde se podem ler estas palavras acerca dos Druidas: “(…) terminados os preparativos necessários para o sacrifício e o banquete sob a árvore (carvalho), levam ali dois touros brancos” Esse conhecimento, porém, não era muito profundo e valeram algumas descobertas arqueológicas nos últimos tempos para melhor se poder ajuizar da sua existência, doutrina e influências nas sociedades da sua época.
Dessas descobertas ressalta, por exemplo, o Homem de Lindow (Lindow Man), descoberto em Lindow Moss, perto de Wilmslow (Sul de Machester), em Cheshire, no Norte da Inglaterra, a 1 de Agosto de 1986.
Em 1971 encontrou-se numa fonte de Chamalières, perto de Clermont-Ferrand (França) uma placa com uma oração a uma divindade desconhecida mas suposta pertencer aos druidas. Depois, em 1983, encontrou-se na aldeia de Veyssière (Aveyron, França) uma outra placa de 57 linhas, conhecida por Chumbo do Larzayk, onde se inscrevia uma mensagem para o outro mundo que devia levar até ali uma mulher druida defunta.
1- Druidismo na Antiguidade
1.1- Origem do termo “Druida”
Tem sido seguida a opinião de que o termo teria vindo da palavra grega “drus” que significa carvalho, deduzindo-se daí de que esse grupo humano adoraria essa árvore e, por meio dela, simbolicamente a floresta, que se supunha possuir uma alma ou espírito. Daí dizer-se serem animistas.
Chris Travers
[2], porém considera que a sua origem deverá procurar-se, preferencialmente, em raízes Indo-Europeias, por exemplo, em “dru” cujo significado é “forte”, “firme” ou “estável”, sendo seguida do sufixo “Wid” que se relaciona com o conhecimento e a sabedoria. Desta mesma opinião são Edred Thorsson (1987, 1992) e Ph. D. Hence que são, por sua vez seguidos pelo linguista Kenneth H. Jackson[3]. Para confirmar esta derivação Travers propõe a tradução da palavra “Druida”, em três línguas, muito relacionadas entre si e com esse grupo humano:
Em Old Irish: druÌ;
Em Middle Wlsh: Derwydd;
Em Gaulish Druvis (de druvids’)
Verifica-se, com facilidade, que os diferentes sons mudaram ou caíram em cada uma das línguas apresentadas, sugerindo tal facto que a forma antiga treria sido com muita probabilidade, “deruwid”, proveniente de “deru+wid”.
Para melhor podermos perceber esta derivação poderemos aproveitar outra sugestão que nos é fornecida pelo mesmo autor a propósito da mesma raiz (deru+wid) que se encontra também noutras línguas, como por exemplo nas seguintes línguas:
Indo-Europeu: deru;
Grego: Drus;
Latim: Dryad (árvore-ninfa);
Irlandês antigo: Druìm(druid) ou duir (carvalho);
Antigo Norse: Trú (fiel);
Inglês m oderno: door; tree; truth; true;
Médio Galês: Derwydd ….
1.2- Habitat e Vida Social dos Druidas
O local próprio dos Druidas tem sido proposto como sendo as Ilhas Britânicas. No entanto este local não foi o único. Podemos encontrar elementos do druidismo também na Gália, sobretudo nas regiões onde hoje se situam a França, Bélgica e o Luxemburgo e ainda no Norte da Península Ibérica. Por outro lado, a ideia que se tem destes indivíduos é a de que eram considerados como magos, feiticeiros e que possuíam grandes conhecimentos praticamente a todos os níveis. Por exemplo Pomponius Mela num artigo intitulado Druidismo:Alma Celta em Acção escrevia o seguinte:
(…) dominavam toda a área do conhecimento humano, cultivavam a música, a poesia e tinham controle do clima, do conhecimento sobre as ervas, podiam fazer ou parar de chover, controlavam as funções, marés, tremores de terra, etc. Tudo isto era procedido com o uso de cristais e em parte pela acção da mente, graças aos rituais realizados em lugares de força. Preferiam cultuar a divindade em lugares como o campo e florestas, usando vestes brancas em algumas cerimónias ligadas à fecundidade da natureza, os participantes não usavam vestes”.
Sob o ponto de vista político, os Druidas formavam dois grandes grupos ou Instituições bem distintas, sobretudo na Irlanda, senbdo elas a Tribo (Tuathas) e a Aes Dana (ou homens da arte). Se a primeira se dedicava à guerra, a segunda laborava no campo da arte e da magia.
Por sua vez a Aes Dana (artistas e Magos) subdividia-se em os BARDOS (poetas e Músicos viajantes), os FILI (poetas domésticos e historiadores orais) e os METALÚRGICOS e ARTESÃOS (artesãos e poetas estacionários ou das casas senhoriais e palacianas).
Há quem os subdivida em BARDOS (responsáveis pela preservação e transmissão das identidade cultural), os VATES ou OVATES (adivinhos, curandeiros, conhecedores das propriedades das plantas e, por isso, os aplicadores da magia e da cura) e, finalmente, os DRUIDAS (conselheiros dos reis, sacerdotes, Juristas e Legisladores).
Sob o ponto de vista militar, consta, segundo testemunho de Júlio César, que o exército dos celtas tinham um treino muito aperfeiçoado e que seria adestrado pelos Druidas que utilizavam métodos físicos, psicológicos e mágicos, como também a profecia e a adivinhação. Relativamente aos guerreiros druidas (masculinos e femininos), é de notar que não temiam a morte e enfrentavam-na, expondo aguerridamente as próprias vidas. Achavam ignominioso e cobarde cobrirem o corpo com armaduras ou outros trajes, lutando, por isso de tronco nu.
Sob o ponto de vista religioso, os Druidas apesar de cultuarem, como os Celtas, a Deusa-Mãe, admitiam que todas as prerrogativas atribuídas à divindade eram apenas percepções imperfeitas da sua própria constituição. Admitiam, efectivamente, que todos os aspectos da divindade e todas as divindades adoradas não passavam de aspectos de uma única Divindade suprema.
1.3- A Realeza
Entre os guerreiros e os artistas situava-se a Realeza que era considerada agrada. Ao Rei cabia a função e obrigação de se sacrificar pelo bem e salvação do seu povo, visto ele ser considerado casado com a Terra ou Reino. Se não cumprisse com estes seus deveres, seria punido pelos deuses. Conta-se que, devido ao aparecimento de uma peste que dizimou grande número de cidadãos, o Rei foi sacrificado em expiação.
1.4- Conquistas de Cláudio
Sob o império do imperador romano Cláudio, os Romanos conquistaram e anexaram a Grã-Bretanha, no ano 41 d. C., coroando com esta vitória as vitórias alcançadas contra a Trácia, Norico (Noricus Ager) um país ao sul do Rio Danúbio (correspondente à alta e baixa Áustria de hoje, entre Inn e o Danúbio e ainda grande parte da Stíria, Carinthia e partes de Carniola, Bavária, Tirol e Salzburgo), Panfília, Lícia e Judeia.
Dois foram os factos dignos de memória atribuídos a Cláudio. Em primeiro lugar, após a conquista da Bretanha indultou Caractaco, general e líder da resistência bretã, pela sua nobre atitude quando foi capturado no ano 50 d.C. Em vez de o mandar executar como era costume, deixou-o ir viver para uma das províncias romanas. O segundo facto (nada digno) foi o de ordenar a destruição de todos os símbolos relativos à religião celta, isto é, druida. Mesmo assim, após a sua morte, Cláudio seria divinizado pelo Senado Romano.
1.5- Vestes brancas dos Druidas
Quando se fala da indumentária dos Druidas ressalta a cor branca da sua longa túnica, munida de capuz, à semelhança, diz-se, dos monges beneditinos. Foi assim que se apresentaram, em Stonehange, e noutros locais de assembleia dos Druidas modernos.
Haverá alguma verdade histórica que sustente esta apresentação hodierna? De facto tudo leva a crer que o uso das vestes brancas tenha um fundamento histórico. Segundo Plínio, o Velho, os Druidas deslocavam-se à florestas para nela apanharem o visco que se encontrava nos carvalhos para confeccionarem com ele as suas mezinhas (o termo "mezinha" tem a sua origem na palavra latina "medicina" que significa remédio). Segundo a versão inglesa lê-se: “(…) a Gaulish mistletoe-cutting ritual where a druid, in a what is generally translated as 'White robe' climbs an oak tree and cuts the mistletoe (which has white berries) with a golden sickle”. Temos aqui, portanto, a alusão à veste branca e, ao mesmo tempo, ao Visco ou visco (mistletoe) que na Inglaterra é conhecido mais pelo nome de “White Berries) e entre os Romanos era conhecido por “Galho de ouro”, passando a nós sob o nome de “Erva do Passarinho”. Como se sabe, o carvalho é a árvore que mais se adapta ao desenvolvimento desta erva parasita (o visco) que dá umas bagas brancas ou mesmo acastanhadas ou de tom dourado, quando bem maduras), delas se servindo algumas aves.
Os Druidas aproveitavam-nas para confeccionarem as suas mezinhas curativas. Enquanto uns trepavam pela árvore acima para cortar o visgo, outros permaneciam por baio para o recolherem antes de atingirem o solo, para não perderem as propriedades sagras e curativas. Após a colheita procedia-se a uma cerimónia, constituída por orações, fórmulas mágicas e pelo sacrifício de dois touros brancos. Os ramos eram cozidos numa “poção misteriosa com propriedades salutares especiais” vindo a servir como remédio contra os males e feitiços. Assim se justifica o uso das vestes brancas com capuz, usado pelos grupos druidas de hoje.
1.6- Simbolismo das cores
O simbolismo das cores no tempo de Merlin era o mesmo que aquela que encontramos hoje entre nós.
Assim a:



Cor branca significava a pureza, a inocência e a alegria;
Ccor vermelha significava a coragem, o poder, o fervor e o zelo;
Cor azul significava o Céu, a divindade, a piedade, a amizade, a lealdade e a justiça;
Cor verde significava a esperança, a vida, a plenitude.
1.7- Festas principais
Para eles o ano era dividido em quatro períodos de três meses em cujo início havia um grande festival.
Imbolc – celebrada a 1 de Fevereiro (no Hemisfério Norte) e a 2 de Agosto (no Hemisfério Sul).e era associada à deusa Brigit, a Deusa-Mãe, protectora da mulher e do nascimento das crianças;
Beltane – (também chamado de Beltine, Beltain, Beal-tine, Beltan, Bel-tien e Beltein). É celebrada a 1 de Maio (no Hemisfério Norte) e a 1 de Novembro (no Hemisfério Sul) e significa "brilho do fogo". Esta festa, muito bonita, era marcada por milhares de fogueiras;
Lughnasadh – (também conhecida como Festa das Lammas) era dedicada ao Deus Lugh, ou Deus Sol e celebrava-se no Outono, a 1 de Agosto (no Hemisfério Norte) e a 21 de Março (no Hemisfério Sul). Tinha como simbolismo a fartura das colheitas;
Samhain – a mais importante das quatro festas, celebrada a 1 de Novembro no hemisfério Norte e a 1 de Maio no Hemisfério Sul. Hoje associada com o Hallows Day, celebrado na noite anterior ao Hallowen.
1.8- O Rei Artur e Merlin
O pouco que popularmente é dito a respeito dos druidas tem por base diversas lendas, como a do Rei Artur, onde Merlin era um druida.
O que melhor se pode dizer é que os druidas foram membros de uma elevada estirpe de Celtas que ocupavam o lugar de juízes, doutores, sacerdotes, adivinhos, magos, médicos, astrónomos, etc., mas que evidentemente não constituíam um grupo étnico dentro do mundo Celta. Eram grandes conhecedores da ciência dos cristais, radiestesia
(sensibilidade para as radiação e tem como função a activação do subconsciente humano), plantas, etc[4].
Na cultura druida, portanto, a mulher tinha um papel preponderante, pois ela era vista como a imagem da Deusa.
No contexto religioso os druidas eram sacerdotes e sacerdotisas dedicados ao aspecto feminino da divindade, a Deusa Mãe. Embora cultuassem a Deusa Mãe mesmo assim admitiam que todos os aspectos expressos a respeito da Divindade eram ainda percepções imperfeitas do Divino.
No continente europeu, as construções megalíticas mais divulgadas são as de Stonehenge (Inglaterra), local em que por volta do ano 3000 a.C., terá sido criado o primeiro local de culto, o qual foi desenvolvido nos cerca de 1500 anos posteriores.
Em torno disto existem muitos relatos, contos, lendas e mitos, especialmente ligados à Corte do Rei Artur e a Tabula Redonda. São inúmeros os contos, entre eles, aqueles relativos à Corte do Rei Artur, onde vivera Merlin, o mago, e a meio-irmã de Artur, Morgana, e Guinervere que eram Druidas.
1.9- Canibalismo e Sacrifícios humanos entre os Druidas
Os trabalhos de arqueologia da professora Miranda Aldhouse-Green[1] da Universidade de Cardiff confirmam os ditos dos autores clássicos e demonstram a participação crucial dos druidas na realização de sacrifícios humanos e na prática do canibalismo.
Os romanos trouxeram notícias com histórias horríveis sobre os sacerdotes celtas, que se espalhou por toda a Europa durante um período de 2000 anos.
Júlio César afirmava que os druidas sacrificavam presos e prisioneiros aos deuses.
Dando assim, continuidade ao mito de sacrifícios cometido pelos Druidas, cujo verdadeiro erro foi estimular o povo a não aceitar as leis e a suposta 'paz' romanas.
Também Plínio, o velho, sugeriu que os celtas praticavam o canibalismo como ritual, comiam carne de seus inimigos como uma fonte de força espiritual e física
[5].
1.10- Ideia druida sobre a morte
Acreditando na imortalidade da alma, os druidas ensinavam que a alma humana deveria ultrapassar uma dura prova, constituída por três ciclos de reencarnações. Essa prova deveria ser superada com a ajuda dos espíritos protectores. A sequência desses três ciclos era a seguinte:
O ciclo da Imersão na matéria, o seja, o da vivência na terra, sendo este o ciclo mais primitivo e conhecido por “ciclo da animalidade”;
O ciclo das Migrações, sendo constituído pelo período em que a alma circula pelos mundos das experiências e do sofrimento humanos, reencarnando noutros seres;
O ciclo da Chegada ao mundo venturoso: Após a dura luta e o grande sofrimento durante o ciclo das migrações a alma chega, finalmente, ao mundo venturoso e alcança a Essência Divina.
2- Druidismo moderno
2.1- Alvores do druidismo moderno
O Druidismo permaneceu praticamente desconhecido até aos finais do século XVIIII e, se alguma coisa se disse até esta data, foi baseado em alguns antigos documentos referentes às guerras entre Romanos e Celtas e Bretões, como já foi dito anteriormente.
Num belo dia do ano 1717, Henry Hurle
[6], durante uma reunião realizada num bosque de Inglaterra, sentiu a necessidade da irmandade entre os homens e fez esta declaração, em alta voz:
“Ir appears to be that society lacks good fellowship, hilarity and brotherly love” e, ao falar sobre os Druidas, acrescentou:
“(…) they were of old men who undertook to enlighten the people of their day who introduced among de ancient Britons the useful and polite arts, and these were the Druids. My proposition is that we form a society for social feeling and we assume the title of those learned men (the druids), and that we will adopt the endearing name of brothers, universally amongst us”.
A partir de então várias foram as entidades filantrópicas, sociedades secretas e clubes de cavalheiros que foram surgindo na Inglaterra entre os séculos XVIII e XIX, sob a muita influência de ordens semi-macónicas, chegando o número de ordens druidas a cerca de uma centena nos finais do século XIX, no intuito de revitalizarem o fenómeno druida original que se supunha ter existido pelo menos 6.000 anos antes de Cristo. As principais e mais conhecidas dão pelos nomes de: Druid Order (Ordem Druida) e mais tarde as seguintes: Confraternidade Filosófica dos Druidas; Ordem Druida; Fraternidade dos Druidas; Bardos e Poetas ou Igreja Celta Renovada. Todas estas se matem em pleno desenvolvimento, nos nossos dias
[7]. 2.2- Verdadeiro ressurgimento do Druidismo moderno
Foi, porém, na década de 1960, mais precisamente em 1964 que Ross Nichols tratou de pôr em ordem a grande variedade de ordens druídicas que foram surgindo nos séculos XVIII-XIX. Abandonando a A.O.D. (Ancient Order of Druids) passou a criar a Ordem dos Bardos Ovates e Druidas (O.B.O.D) (ou simplesmente OBOD), atribuindo a esta nova Ordem uma grande ênfase aos aspectos mágicos e celtas.
Ajudado pelas recentes descobertas
[8] arqueológicas, filosóficas e religiosas, pôde imaginar quais teriam sido as máximas morais do antigo druidismo, propondo as seguintes:
Crença no Supremo Poder do Universo,
Imortalidade da Alma,
Dignidade de cada homem e mulher,
Respeito pelos direitos humanos de todos os humanos,
Desenvolvimento das faculdades mentais,
Protecção mútua,
Desenvolvimento das virtudes sociais,
Nacionalismo,
Irmandade e fraternidade.
Estes princípios assentam nos preceitos atribuídos a Merlin (considerado o maior de todos os druidas da antiguidade e que se tornou proverbial na história da magia), sendo identificados os seguintes:
1º Labora diligentemente para adquirir o conhecimento, pois este é poder e força;
2º Se estiveres constituído em autoridade, decide racionalmente, pois ela pode cessar;
3º Suporta com fortaleza os altos da vida, e recorda que nenhum infortúnio é perpétuo;
4º Ama a virtude, pois esta traz s paz;
5º Aborrece o vício, pois este traz o mal;
6º Obedece aos que estão constituídos em autoridade para que a virtude seja exaltada;
7º Cultiva as virtudes sociais para que possas ser amado por todos os homens.
2.3- Base do Druidismo moderno
Segundo alguns autores o Druidismo moderno é uma religião heteróclita, porquanto ele é constituído por uma mistura de elementos de diversas proveniências, tais como:
- Crenças originais celtas (6.000-500 anos a.C.) que foram recolhidas por estudos alcançados nos séculos XIX e XX;
- Influências do cristianismo celta que se desenvolveu na Grã- Britânicas e na Irlanda antes da imposição do Cristianismo romano no anos 500-a 1000 d.C.;
- Crenças pagãs dos Normandos após a invasão das Ilhas pelos Wikings (800-1000 d.C.);
- Cristianismo místico ea da Maçonaria que moldaram o Renascimento druídico do século XVIII;
- ocultismo dos finais do século XIX;
- Reconstrucionismo Celta dos finais do século XX.
2.4- Druidismo actual na Inglaterra
Em 2003 Emma Restall Orr criou, na Inglaterra, a Druid Network que é uma Organização neo-pagã druida e que se tornou uma fonte de informação e inspiração das Tradições do druidismo moderno. Esta Organização tomou a seu cargo, em colaboração com British Museum, o tratamento e a dignificação dos objectos e dos restos encontrados nas escavações arqueológicas do Reino Unido, tendo publicado alguns os resultados no “British Archeology” (Issue 77, July 2004) e no The New Statesman (6 de November 2006)[9].
Esta Organização veio a ser reconhecida como Instituição Filantrópica, promotora da Religião Druida, significando praticamente o mesmo que ser reconhecida como uma Religião igual às já existentes na Inglaterra. Efectivamente, é assim que se pode interpretar o comunicado que o Rvd.Philip Ross Nichols Dirigente da Druid Netwrk fez aos seus fiéis:
“É com grande prazer que nós, da Druid Network anunciamos que, em reunião da Comissão da Filantropia, no dia dia 21 de Setembro de 2010, a Druid Netwrk foi reconhecida como Instituição Filantrópica que promove a Religião Druida (…). Esse é o resultado de muitos anos de trabalho, durante os quais a Comissão questionou todos os aspectos da prática, crença e coerência do Druidismo e o carácter de benefício público da Druid Network. Isso significa que o druidismo agora é reconhecido como uma Religião válida de acordo com a Lei de Filantropia da Inglaterra. Isso dá ao Druidismo o mesmo Status de outras Religiões reconhecidas, em todas as áreas, inclusive nos locais de trabalho, um grande passo e motivo de celebração”.
2.5- Druidismo nos Estados Unidos da América
O primeiro Bosque de Druidas nos Estados Unidos foi instituído na cidade de Nova Yorque, em 1830, ramificando-se gradualmente, sendo o da Califórnia instituído em 1858 na velha cidade de Hangtown, hoje conhecida por Placerville, sendo chefiado pelo mesmo fundador do Druidismo californiano P:N:H:A: (Past National Grand Arch)[10].
2.6- Druidismo em Portugal
Também já chegou a Portugal o Druidismo. A notícia dessa chegada, foi dada no dia 27 de Abril de 2011 pelo periódico Sol, nestes termos:
“Sintra foi o local escolhido para acolher a primeira cerimónia do calendário celta, já no primeiro de Maio. É dessa forma que se dá a chegada da Ordem dos Bardos, Ovates e Druidas a Portugal. Aquele que é um dos mais importantes grupos a nível mundial, dedicado à prática, ao ensino e ao desenvolvimento desta espiritualidade com raízes celtas vai chegar a Portugal. A primeira cerimónia da Ordem em terras lusas será o domingo, data da festividade celta de Beltane (que significa “Fogo de Bel”, uma festividade solar céltica), que está ligada ao redespertar das energias da Terra”
[11].
O nome porque é conhecido o Druidismo em Portugal é OBOD Portugal e já organizou vários eventos de forma a apresentar-se ao público português
[12].
A sede da Ordem situa-se no coração de Sintra; tem o nome de “A Casa do Fauno” e encontra-se “entre Steais e a Quinta da Regaleira, ocupando um terreno que pertenceu, em tempos, ao grão-mestre dos Tem+plários em Portugal e foi passando de mão em mão ao longo dos séculos”.
A Ordem só foi oficializada, a 1 de Maio, numa “cerimónia associada ao Verão, celebrando uma divindade celta chamada Belenus, como o descreve Alexandre, segundo um artigo de Luís Leal Miranda, publicado em 28 de Maio de 2011 intitulado Ordem dos Druidas
[13].
Quanto ao modo de celebrar as cerimónias, em Portugal, o mesmo autor explica:
“Como foi o primeiro ritual organizado, em Portugal, decidimos entreabrir as portas. Os próximos rituais vão ser secretos, limitados a membros para isto não ser visto como um folclore onde as pessoas se vestem de maneira estranha”
Relativamente à indumentária utilizada, acrescenta:
“Os Druidas não têm paramentaria oficial, mas há quem adopte umas vestes brancas iguais às que se crê que eram usadas pelos antigos druidas. 'Serve como uma muleta para enganar o nosso plano mental e despertar a consciência', justifica Alexandre Gabriel”
[14].
Notas
[1] Gaius Plinius Secundus (23-79dC), mais conhecido por Plínio,Velho.
[2] [On-line] [Consult 12-11-2011] Disponível em: http://accessnewage.com/articles/mystic/druids.htm
[3] [On-line] [Consult 12-11-2011] Disponível em: http://www.claudiscrow.com.br/almacelta-busca-relacoes-druidismo.htm
[4] Rediestesia é uma palavra composta, vindo do latim Radium (radiação) e do grego aesthesis (sensibilidade). Costuma definir-se como sendo a “arte de captar e estudar as radiações”. Funciona como o sonar de um navio caçador de minas que emite uma onda, voltando a captá-la, o que permite detectar se existe ou não uma mina no seu trajecto. É utilizado, normalmente, um pêndulo quando se deseja conhecer o que vai acontecer na vida de uma pessoa.
[5] [On-line] [Consult 27-03-2012] Disponível em: (http://news.nationalgeographic.com/news/2009/03/ 090320-druids-sacrifice-cannibalism_2.html National Geographic. (em inglês
[6] http://casadofauno.wordpress.com/casadofaun/ e ainda em http://www.cisionmediapoint.com/Press-Releases/99993088-ordem-dos-druidas-chega-a-portugal
[7] [On-line] [Consult 27-03-2012] Disponível em: http://www.astrologosasttrologia.com.pt/magia­_celta=acerca_dos_druidas.htm.
[8] [On-line] [Consult 27-03-2012] Disponível em: http://legadodecain.wordpress.com/20010/04/30/ wicca-e-druidismo/
[9] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www.obod.com.pt/perguntasfrequentes.htm
[10] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www.neopagan.net/UAODbooklet.html
[11] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=17735
[12] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www.aarffsa.com.br./noricias1/07111047.html.
[13] Ordem dos Druidas. Desde Maio num bosque perto de siJornal i (28 Maio 2011) por Luis Leal Miranda e http://www.obod.com.pt/comunicacaosocial.htm.
[14] [On-line] [Consult 28-03-2012] Disponível em: http://www1.ionline.pt/conteudo/126396-ordem-dos-druidas-maio-num-bosque-perto-si.
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